














 Rendio total
  Wild about a texan
  Jan Hudson
  Cherokee 3

   Jackson Crow tinha ido muito longe s para encontrar a Olivia Emory. Meses antes, uma inocente festa tinha acabado com o pster de "No Incomodar" pendurado na
porta da habitao de um hotel. Aps os sonhos da Olivia tinham estado cheios de lembranas daquela noite apaixonada e selvagem, embora tinha esperado no voltar
a ver o Jackson jamais. Os homens a tinham feito muito danifico para voltar a confiar em um. No podia permitir que aquele texano lhe rompesse de novo o corao...
quando o que realmente desejava era converter-se em sua mulher...


















   Prlogo

   despertou repentinamente, com o corao golpeando suas costelas. Alargou a mo para toc-la, mas o stio estava vazio. Algo lhe disse que se partiu fazia momento,
mas se levantou da cama gritando seu nome. O nico signo de que tinha estado ali, a taa de champanha na mesinha de noite.
   Amaldioando entre dentes, Jackson tomou o telefone e chamou recepo.
   -A senhorita Emory se partiu do hotel -disseram-lhe.
   -Que se foi? Quando?
   -No sei. Quer que o comprove no ordenador?
   -Sim.
   Jackson amaldioou um pouco mais enquanto esperava e de novo quando lhe disseram que se partiu s nove da manh, com o qual lhe levava trs horas de vantagem.
   Eram as doze?
   O nunca se levantava tarde... mas aquela noite logo que tinha dormido. No se cansava dela. Jamais tinha conhecido a ningum como Olivia, nunca tinha tido tal
conexo com uma mulher.
   Desde que a viu no jantar a noite antes das bodas soube que era algum muito especial.
   E todo mundo se deu conta da qumica que existia entre a dama de honra do Irish Ellison e o padrinho do Kyle Rutledge.
   O problema era que sempre estavam rodeados de gente, como ela desejava. Inclusive lhe havia dito que se perdesse quando a tirou do brao para sair ao jardim.
Mas Jackson no se rendeu. Deus no lhe tinha dado muito crebro, mas sim sorte e determinao. E estava decidido a conseguir a Olivia Emory como fora.
   Jackson ficou as calas do smoking e as botas jeamas e comeou a lanar maldies ao no encontrar a camisa. A toda pressa, ficou uma sudadera dos Cowboys de
Dallas que tirou da gaveta e entrou no elevador.
   Quando saiu do hotel estava nevando. O taxista ganhou uma gorjeta por lhe economizar uns minutos, mas quando chegou ao aeroporto do Akron descobriu que o vo
da Olivia tinha sado duas horas antes e que, nesse momento, as pistas estavam fechadas pela neve at que passasse a tormenta.
   Enquanto voltava para hotel, Jackson se sentia como um homem quebrado. Estava coado pela Olivia Emory. Coado como nunca.
   Era estranho que se fixou nela, por bonita que fora. Olivia era uma garota muito brilhante e ele, mais parvo que Abundio. E nunca lhe tinham gostado das mulheres
que se fazem as duras. Conhecia muitas com vontades de farra para perder o tempo.
   Mas ela era especial. Soube desde o comeo.
   Tinha estado observando-a durante todo o fim de semana nas bodas de sua primo Kyle porque, apesar do que dissesse, tinha a impresso de que tambm ela se sentia 
atrada. Mesmo assim, no o deixava apert-la na pista de baile e se comportava como uma professora de escola.
   At que, de repente, esmagou-se contra seu peito.
   -me leve danando at a sada -disse-lhe ao ouvido-. E vamos daqui.
   -Est doente?
   Olivia negou com a cabea.
   Jackson no questionou a repentina mudana de opinio, atribuindo-o a sua proverbial boa sorte... ou a seus encantos masculinos. Saram do hotel e foram a um 
pequeno restaurante, onde tomaram champanha e falaram at as tantas.
   E riram. riram muito. Gostava de sua risada, sexy como o demnio. Jackson lhe contou um monto de piadas solo para v-la rir.
   De volta no hotel, beijou-a no elevador. E quando se abriram as portas, entraram em sua sute como se fora o mais natural do mundo. Fazer o amor com a Olivia 
tinha sido incrvel. mais do que nunca tivesse imaginado.
   E pela manh ela tinha desaparecido. Jackson tinha o corao quebrado... e estava gelado.
   S ento se deu conta de que no levava casaco. Aquela mulher havia o tornado majareta.
   Quando estava pedindo a chave de sua habitao, o recepcionista lhe deu um envelope. 
   -O que  isto?
   -Uma mensagem para voc, senhor. 
   Jackson abriu o envelope e leu a nota, incrdulo. Depois, fez uma bola com o papel e entrou de duas pernadas no elevador.
   Pensava ir a Washington embora tivesse que faz-lo em uma mquina mquina de limpar neve.
   
   
   Capitulo Um
   
   Aquilo era um engano, pensou Olivia, sentada no banco de uma igreja de Dallas.
   No deveria haver-se deixado convencer por seu amiga Irish para ir  bodas de sua irm. As bodas do m sorte. Se tivesse seguido at Austin sem parar-se em casa 
do Irish, no estaria metida naquela confuso. Mas o estava.
   Assim que o viu esperando no altar com seu irmo e outros, soube que levava um ano e meio mentindo-se a si mesmo. Os sentimentos seguiam ali. Solo vendo-o seu 
corao se encolhia como uma passa.
   De repente, o aroma das flores lhe deu nuseas. E seu instinto de sobrevivncia lhe disse que sasse correndo.
   Mas quando ia levantar se comeou a soar a msica e a primeira dama de honra apareceu no corredor.
   Notava o olhar do homem cravada nela e tentou no olhar. Mas no pde faz-lo. E quando seus olhos se encontraram, a msica e a gente desapareceram. O tempo ficou 
suspenso.
   Olivia amaldioou sua estupidez por estar ali.
   Outra pessoa podia esconder-se em desculpas, mas ela no. Ela era psicloga. Como a proverbial traa  luz, tinha acudido a Dallas para ver o Jackson de novo.
   Com um tremendo esforo, obrigou-se a si mesmo a observar a cerimnia. Eve Ellison, a irm do Irish, estava muito bonito com um singelo vestido de cetim cor marfim. 
Matt Crow, o irmo do Jackson, olhava a sua noiva com os olhos cheios de amor. Irish, grvida, era uma das damas de honra e Kyle Rutledge, seu marido, uma das testemunhas.
   Apesar de seus esforos, Olivia logo que ouvia nada. Solo podia olhar ao Jackson Y... a porta da igreja. Mas no queria levantar-se em meio da cerimnia e tampouco 
queria enfrentar-se com ele.
   Assim que pudesse, sairia correndo da igreja, tomaria um txi e iria a casa do Irish...
   Maldio! No tinha chave da porta.
   -Pode beijar  noiva.
   Olivia levantou os olhos e viu os noivos beijando-se. E ao Jackson olhando-a. Nervosa, segurou a bolsa com as duas mos, como se no fora com ela.
   Os noivos comearam a caminhar pelo corredor, com o Jackson e Irish detrs. Quando passavam a seu lado, ela ficou olhando uma vidraa como se fora a obra de arte 
mais interessante do mundo.
   Esperou at que tinham sado todos os convidados e depois abriu uma portinha lateral.
   Ali, apoiado na parede, estava Jackson Crow.
   -Foi a alguma parte?
   -Eu... estava procurando o banheiro de senhoras. 
   -Em uma igreja? 
   -Ah, no.  verdade, que tola. 
   -Pois tiveste sorte porque nesta h um. Por essa porta -disse Jackson-. Espero-te.
   -No faz falta, obrigado. Voc tem que te fazer fotografias com os noivos... 
   -Espero-te.
   Olivia se tomou seu tempo, arrumando sua maquiagem, passando o pente... E, por fim, com a cabea bem alta, abriu a porta. Jackson sorriu.
   -Por fim. Sabe quanto tempo estive te buscando quando desapareceu do Akron? 
   -Parti a Washington. 
   -depois disso. Eu cheguei a Washington a meia-noite, mas j te tinha partido. Menos usar aos ces fiz de tudo para te encontrar.
   -Fui a casa de uma amiga em Avermelhado... embora no  tua coisa.
   -Claro que  minha coisa. depois daquela noite...
   -Prefiro esquecer essa noite, Jackson -interrompeu-o ela-. No sei... no sei o que me possuiu. Deveu ser o champanha. Eu no bebo muito Y... enfim, preferiria 
que fosse um cavalheiro e se esquecesse do que aconteceu ns.
   Jackson tinha um sorriso nos lbios. Uns lbios que tinham infestado seus sonhos durante um ano e meio. Recordava seu sabor...
   -Temo-me que no o esqueci, preciosa -disse ele ento, levantando seu queixo com um dedo-. Embora minha me tentou me converter em um cavalheiro, tenho boa memria.
   Embora o roce a turvou, Olivia deu um passo atrs. No havia sitio para um homem em sua vida. E muito menos um homem como Jackson Crow.
   Se no se ficou aterrorizada ao ver seu ex-marido na pista de baile, no se teria ido com ele aquela noite. Mas a assustou tanto que Thomas a tivesse encontrado 
que seu nico pensamento era escapar.
   -Tem que esquec-lo porque no voltar a repetir-se -espetou-lhe-. E agora, se me perdoar... -Olivia tentou passar a seu lado, mas ele o impediu.
   -No to rpido. Agora que tornaste, no penso deixar ir.
   Uma porta se abriu ao outro lado do corredor e o av do Jackson apareceu a cabea.
   -Jackson... deveria ter imaginado que estava com uma garota bonita. Perdoe, senhorita... Jackson, vem agora mesmo ou sua me de esfolar vivo.
   -Vou em seguida, av.
   -Por favor, v -disse Olivia.
   -Se for, sair correndo.
   O av do Jackson, conhecido por todo mundo como Cherokee Pete, aproximou-se. Tinha
   o cabelo cinza e levava duas tranas, ao estilo ndio. Certamente, era um tipo peculiar.
   -Mas se for Olivia Emory. Como est, bonita?
   Ela sorriu.
   -Olivia Moore. E estou bem, senhor Beamon. 
   -Moore? Casaste-te? -perguntou Jackson. 
   -No me chame senhor Beamon -disse-lhe o av-. Sigo sendo Cherokee Pete. V com sua me, Jackson. Eu me encarrego da Olivia at que terminem com as fotos. 
   Jackson no se moveu. 
   -Casaste-te?
   Mentir houvesse resolvido multido de problemas, mas no podia faz-lo. 
   -No.
   -Ento?
   - uma histria muito larga. 
   -Tenho tempo.
   -No  verdade -interveio seu av-. J falar com ela mais tarde -acrescentou, empurrando-o sem olhares-. Quer vir comigo na limusine, Olivia? Serei a inveja 
de todo o mundo se aparecer no banquete com uma garota to bonita do brao.
   -De acordo -sorriu ela-.  um donjun, Pete. Agora vejo de onde tiraram o encanto seus netos. 
   Lhe piscou os olhos um olho.
   -Ensinei-lhes tudo o que sei. Em marcha, Olivia. Enquanto vamos a esse restaurante to brega, pode me contar por que agora te chama Moore. Diz que no te casaste?
   -No. Levo trs anos divorciada e eis decidido recuperar meu sobrenome de solteira -respondeu ela. No era toda a verdade, mas decidiu que era a melhor explicao.
   Em realidade, Moore era um sobrenome que tinha tirado da guia Telefnica no Durango. Seu verdadeiro sobrenome de solteira era Emory. o de casada, Fairchild.
   Pete assentiu.
   -Queria apagar o sobrenome do canalha que te tirou de cima?
   -Como sabe que meu ex-marido era um canalha?
   -Se no o fora, seguiria casado contigo. Em minha opinio, devia ser um completo idiota para deixar que lhe escapasse uma mulher como voc.
   Oxal a tivesse deixado escapar, pensou Olivia enquanto entravam na limusine.
   -Mas me alegro de que siga solteira -seguiu Pete-. Parece que ao Jackson gosta de muito e eu tenho que te fazer uma proposio. 
   -Uma proposio?
   -Sim. Sempre quis que meus netos encontrassem uma boa esposa. Senti-me muito feliz quando Kyle se casou com o Irish e agora que Matt se casou com o Eve. Mas ficam 
dois mais. E creio que  hora de que Jackson, o major, sente a cabea com a garota que o tem louco.
   -Ah, sim? -murmurou ela, ficando como um tomate-. Quem  essa garota?
   -Voc -respondeu Pete.
   -Eu?
   -Sei que meu neto est coado por ti. ficou como um urso com a pata em uma armadilha quando no pde te encontrar. Buscou-te por toda parte, n? Durante muitos 
meses. Eu creio que isso te converte em uma garota muito especial. E agora, vou fazer te uma proposio: se te casar com o Jackson, o dia das bodas te darei dois 
milhes de dlares.
   Olivia ficou olhando-o, atnita. Sabia que Cherokee Pete, apesar dos acrscimos e a atitude rstica, era multimilionrio. Mas no podia acreditar que estivesse 
lhe fazendo essa oferta.
   -Dois milhes de dlares? -conseguiu dizer-. Me casar com o Jackson? Dir-o de brincadeira.
   -No. Digo muito a srio. Acabo de lhe dar a seus Eve dois milhes por casar-se com o Matt.
   -Mas isso  absurdo! Eu no me casaria com seu neto por dois milhes de dlares.
   O homem deixou escapar um suspiro.
   -A verdade  que Jackson no seria fcil para nenhuma mulher... no lhe falta carter, j me entende.  um bom menino. Mas  o major de meus netos e creio que 
j  hora de que deixe de andar de flor em flor e forme uma famlia.
   -O que?
   -Voc  psicloga, Olivia. E me parece que  a pessoa adequada para dom-lo. Alm disso, ris me h dito que  muito lista.
   -Muito lista para me casar com o Jackson No estou interessada em dom-lo, Pete Nem estou procurando marido.
   -No faz falta que lhe ditas agora mesmo Tomate seu tempo. Mas seria muito importante para meu ver feliz a meu neto. Olhe... inclusive aumentaria a quantidade 
a cinco dlares.
   
   Captulo Dois
   
   Jackson no esperou  famlia. Assim que se fizeram as fotos, saiu como alma que leva o diabo. Devia ter transbordado o limite de velocidade entre a igreja e 
o restaurante umas quarenta vezes, mas lhe dava igual. Queria encontrar a Olivia.
   A idia de que voltasse a escap-lo fazia sentir um suor frio.
   No tinha nem idia de por que o afetava tanto, mas Olivia Emory... Monroe tinha algo que o voltava completamente louco. depois de um ano e meio seguia pensando 
nela todo o tempo.
   Possivelmente era precisamente sua ausncia o que a tinha convertido em uma deusa. Possivelmente se passava algum tempo com ela se daria conta de que era uma 
mulher normal, nada parecida com o anjo que recordava.
   Possivelmente...
   Quando entrou no salo e viu a Olivia com seu av, os "possivelmente" se foram pela janela. Solo olhando-a seu corao pulsava como um tambor. Era preciosa. Largas 
pernas, lbios que pareciam estar rogando ser beijados e uns olhos nos que tivesse podido afogar-se.
   Preciosa, certamente. Mas havia algo mais, algo que o agarrava pelo pescoo, algo que no podia definir nem entender.
   Era a classe de mulher pela que os homens escrevem poesias... embora ele no poderia escrever uma assim o fora a vida nisso.
   Cada vez que a olhava, lembrava-se de um pssaro que encontrou de menino. Um vencejo azul.
   Quando tinha onze anos, deram de presente um rifle de ar comprimido e, depois das sabidas advertncias sobre como us-lo, algo que Jackson no acreditava necessitar 
porque levava um ano usando o rifle do Scooter Franklin, saiu com seu av a pegar tiros.
   depois de atirar sobre latas e garrafas de cerveja, olhou ao redor para ver se encontrava algo mais interessante. Ento viu o vencejo sobre o ramo de uma rvore 
e lhe disparou sem pens-lo.
   O animalillo caiu do ramo e Jackson se sentiu como um depredador. No tinha querido mat-lo, no queria lhe fazer danifico. Correndo, aproximou-se do animal que 
batia as asas no cho, ferido gravemente. Tentou toc-lo, mas o vencejo o picava, assustado, e, ao final, acabou chorando e com as mos cheias de sangue. Por fim, 
tirou-se a camisa e o apanhou com ela.
   O av Pete lhe entalou a asa e o manteve em uma jaula at que pde voltar a voar de novo.
   Aps, Jackson tinha guardado o rifle em um armrio e no voltou a us-lo jamais. Nunca esqueceria a expresso de pnico nos olhos do animal, que necessitava ajuda 
mas, instintivamente, separava-se de quem poderia ser seu executor.
   Olivia tinha a mesma expresso, como se tambm ela estivesse lutando por sobreviver. Lhe teriam feito mal? Jackson desejava abra-la, apert-la contra seu corao 
e lhe dizer que ele a protegeria de tudo.
   Algo absurdo, certamente. Ela era a psicloga. E ele sozinho era um tipo com sorte, com mais dinheiro de que podia gastar e que, para que no o chamassem vago, 
dirigia seu prprio clube de golfe para milionrios.
   Mesmo assim, no pensava deix-la escapar. Tinha que ir devagar, com calma.
   Mas ela o olhou como um cervo assustado quando lhe tirou a taa de vinho da mo. 
   -vamos danar.
   -No h msica -replicou ela, apartando-se-. A orquestra ainda est afinando.
   -Eu cantarolarei at que comecem -disse Jackson, atraindo-a para si-. O que gosta? Uma valsa, um tango? Sou um professor do tango. 
   Rendo, Olivia se apartou. 
   -te comporte.
   -Prefiro no me comportar -sorriu ele, lhe piscando os olhos um olho.
   -Jackson, seu av -disse Olivia, em voz baixa.
   -Meu av se foi.
   -Onde? Estvamos falando -murmurou ela, olhando ao redor.
   Jackson se encolheu de ombros.
   -Nem idia. Mas Pete  preparado e sabe quando est de mais. Se no querer danar comigo, poderamos tomar algo. O bar est aberto.
   -S o vinho que me tiraste antes. Jackson lhe fez um gesto a um dos garons que passavam com bandejas e tomou duas taas de champanha. -Para ti.
   -Obrigado -disse Olivia, sem olh-lo. 
   Ele acariciou um de seus cachos escuros. No podia deixar de toc-la.
   -Cortaste-te o cabelo. 
   -S um pouco. 
   -perdeste peso? 
   -um pouco.
   -por que escapou de mim? 
   -No escapei.
   -No? Pois eu haveria dito que sim. 
   -Simplesmente fui. 
   -E por que tanta pressa? 
   -Expliquei-lhe isso em minha nota. Tinha que tomar um avio para voltar para casa.
   -Mas no foi a sua casa, Olivia. Desapareceu da face da Terra. Sei porque te busquei por toda parte. Sua companheira de piso, Kim, no sabia onde estava. Nem 
sequer Irish, seu melhor amiga. Pensei que Kyle ia estrangular me quando interrompi sua lua de mel.
   -J te tenho dito que me Fui avermelhado, a casa de uma amiga. Ofereceram-me um trabalho e o aceitei.
   -Sem deixar uma direo? 
   Ela se tomou o champanha de um gole.
   Jackson sorriu. Tinha que ir mais devagar.
   -Quer outra taa?
   -No, obrigado.
   -Irish no me havia dito que vinha  bodas.  a primeira vez que vem ao Texas?
   -estive aqui vrias vezes. E no sabia o das bodas. Passava por aqui e me inteirei de casualidade. J conhece o Irish, em seguida levou minha mala  habitao 
e, de repente, estava me vestindo para ir  igreja.
   -Passava por aqui?
   -Sim.
   -Onde foi?
   -A Austin.
   -A Austin? -repetiu ele, esperando uma explicao.
   -Sim -respondeu Olivia.
   lhe tirar informao era mais difcil que tirar leite de uma azeiteira.
   -Jackson, amigo -escutaram uma voz atrs deles-. Deveria ter sabido que tentaria monopolizar a esta mulher to bonita. Ol, Olivia, me alegro de voltar a verte. 
Sou Mitch H-rris, conhecemo-nos nas bodas do Irish... 
   -Ah, sim,  verdade -murmurou ela. 
   -Ho-me dito que vais trabalhar com a doutora Jurney, na Universidade do Texas. Assim, vamos ser vizinhos. Posso ser o primeiro em te dar a bem-vinda?
   Molesto porque Mitch Harris sabia mais sobre a Olivia que ele, Jackson o olhou com cara de poucos amigos.
   -te perca, Mitch. Esta  uma conversao privada.
   -Oua, oua, essa no  forma de lhe falar com seu governador.
   -Voc no  meu governador. Nem sequer votei nas ltimas eleies.
   Desgraadamente, Olivia olhava ao Mitch com certa admirao. O que lhe faltava... por que tinha que lhe haver dito que era o governador?
   -Agora me lembro de ti. Mas no sabia que fosse o governador do Texas -disse ela ento para mais inri.
   -No o era quando nos conhecemos. Sou-o desde ms de janeiro.
   -Felicidades, governador.
   Mitch apertou a mo da Olivia durante um tempo que ao Jackson pareceu desnecessariamente comprido.
   -A nica razo pela que o escolheram  porque, na universidade, jogava futebol. A gente no sabe que tem a cabea feita p de tantos golpes.
   -Jackson! -exclamou ela, surpreendida.
   Mitch soltou uma gargalhada.
   -Eu creio mas bem que foi porque meu oponente se viu envolto em um escndalo poucas semanas antes das eleies. Ningum se surpreendeu mais que eu, mas ganhei 
de uma forma justa.
   -Seguro que est sendo modesto -sorriu Olivia.
   -No o est sendo -interveio de novo Jackson-. Mitch Harris no foi modesto em sua vida. E se no desaparecer em segundo meio, no te deixo entrar em meu campo 
de golfe.
   -Est tentando te liberar de mim?
   -Voc o que crie?
   -Bom, ento suponho que terei que partir. Falaremos mais tarde, Jackson. Olivia, encantado de voltar a verte -disse o governador, lhe oferecendo um carto de 
visita-. Me chame quando te tiver instalado e te ensinarei a cidade. Austin tem os melhores restaurantes do estado.
   Se no se foi naquele momento, Jackson lhe teria dado um murro. Em lugar disso, tirou- o carto a Olivia e a fez pedaos.
   -Jackson! por que tem feito isso?
   -Fazer o que?
   -No seja idiota! por que tem quebrado o carto do Mitch?
   -Porque no quero que o chame. te afaste desse homem,  perigoso. vamos danar.
   -Perigoso?
   -Sim. tinge-se o cabelo e levava cueca de coraes.
   Olivia soltou uma gargalhada.
   -Jackson,  que alguma vez fala a srio?
   -mais do que imagina, preciosa -respondeu ele, tomando-a pela cintura-. Agora mesmo estou muito srio.
   -Olivia! -escutaram uma voz ento. 
   -Kim! -exclamou ela-. Que alegria verte. Est muito bonito.
   As duas amigas se abraaram como... como se fossem dois rfzinhas, pensou Jackson.  que  no foram deixar os em paz?                                     
   -por que no me tem escrito? Estvamos preocupados com ti.                                                   
   Olivia se encolheu de ombros.
   -J me conhece. Venha, vamos ao banho a fofocar.
   E se foi. Jackson ficou jogando fumaa. Por um momento, pensou segui-la ao banheiro de senhoras, mas decidiu que no era boa idia.
   Ento se voltou procurando o Mitch. Tinha coisas do que falar com seu velho amigo.
   No quis aceitar seu oferecimento sabendo que acabaria humilhado. Jackson conhecia bem suas limitaes.
   Mas as coisas tinham trocado. Possivelmente terminaria com o rabo entre as pernas, mas ia arriscar se. Diria-lhe que sim e tentaria no ficar como um idiota. 
depois de tudo, levava anos lhe fazendo acreditar em todo mundo que no o era. E Olivia se merecia qualquer risco.
   
   Olivia e Kim falaram sem parar durante vinte minutos.
   -Tenho que partir, mas nos veremos amanh em casa do Irish -despediu-se seu amiga-. No sabe que alegria me deu voltar a verte.
   -J mim tambm.
   Olivia ficou um momento no banheiro, atrasando sua volta ao salo.
   Kim, Irish e ela tinham vivido juntas em Washington e se fizeram muito amigas. Kim estudava na universidade e trabalhava pelas manhs para a congressista Ellen 
Crow Ou'Hara, a irm maior do Jackson. Irish, que tinha herdado a casa em que viviam, trabalhava em uma clnica de esttica, tentando esquecer um terrvel ataque 
em Nova Iorque que tinha terminado com sua carreira como modelo.
   Olivia estava fazendo o doutorado em Psicologia e tentando recuperar-se de seu divrcio.
   Sua amizade com aquelas duas mulheres a tinha salvado. converteram-se em irms, o mais parecido a uma famlia que teve nunca.
   Sua me tinha morrido quando ela tinha dez anos, seu irmo Jason partiu de casa assim que cumpriu os dezoito e seu pai, um famoso cardiologista do Palm Springs, 
tinha-a deserdado quando se divorciou do Thomas.
   Embora romper a relao com seu pai no foi uma grande perda. Era um tirano cujos abusos tinham levado a sua me ao suicdio, a seu irmo  rua e a ela... a um 
terrvel matrimnio com um homem que era uma rplica de seu progenitor. 
   -Olivia?
   -Ol, Irish. As bodas foi preciosa. Eve parece muito feliz.
   --o. Mas voc parece triste.
   Ela negou com a cabea. 
   -No, o que vai.  que estava me lembrando de nossos bons tempos em Washington.
   -Passamo-lo bem, n? Mas venha, os noivos esto a ponto de cortar o bolo e Jackson est fazendo um buraco no cho. Pediu-me que viesse a te buscar.
   -Irish, eu no quero ter nada com o Jackson. No estou preparada para uma relao sria. Tm-me feito mal muitas vezes.
   -No se preocupe pelo Jackson. No creio que o de "relao seria" esteja em seu vocabulrio. De fato, viria-te bem algum como ele. Tem que te soltar um pouco 
o cabelo e pass-lo bem. Venha, vamos.
   Olivia no teve mais remedeio que segui-la.
   Apesar de sua deciso de manter as distncias, Jackson esteve a seu lado constantemente e, a verdade, passou-o bem.
   Era um bailarino maravilhoso e o disse enquanto davam voltas pela pista de baile.
   -Obrigado. Graduei-me em dana e pquer na universidade.
   Olivia soltou uma gargalhada.                                  
   -No, srio. No que te graduou?                   
   -Em nada importante. Os estudos nunca me interessaram como a meus irmos. Nem sequer teria ido  universidade se no tivesse sido por meu av Pete.
   -Ah, sim. Lembrana que Irish me contou que tinha chegado a um acordo. Ele pagaria a universidade de todos seus netos e lhes daria um milho de dlares quando 
terminassem.
   -Sim. Depois tnhamos cinco anos para dobrar essa quantidade. Se o conseguamos, no teramos que lhe devolver o primeiro milho. Minha irm investiu o dinheiro 
em um invento de seu noivo, agora seu marido. Matt abriu uma empresa de aluguel de avies de pequeno porte e se fez rico. Kyle se forrou lhe estirando a cara s 
estrelas de Hollywood. Minha primo Smith abriu uma empresa de informtica quando estava na universidade e tem feito uma fortuna...
   -E voc? -perguntou Olivia-. Como dobrou seu dinheiro? Porque suponho que o fez.
   -Sim. Meu maior talento sempre foi a sorte, assim comprei um milho de dlares em loteria.
   -No o dir a srio?
   -Se o pensar, tinha muitas possibilidades. Ganhei onze milhes de dlares.
   -De verdade?
   - obvio.
   Olivia sacudiu a cabea.
   -Jackson Crow, est louco.
   O sorriu.
   -Certamente que sim. Estou louco por ti, Olivia Emory.
   -Moore.
   -Perdo. Moore. Me alegro de que j no leve o sobrenome desse idiota.
   Lhe contou a mesma histria que lhe tinha contado a seu av. Era assombroso o fcil que lhe resultava mentir, especialmente porque sua vida dependia disso. Tinha 
trocado de sobrenome duas ou trs vezes da ltima vez que viu o Jackson. E o engano devia estar funcionando porque Thomas no havia tornado a localiz-la.
   -te relaxe -disse-lhe ele ao ouvido.
   -Perdoa?
   -Puseste-te muito tensa.
   -Sinto muito.  que estou cansada.
   -Sou eu quem o sente. Levamos danando quase uma hora... mas era a nica forma de te abraar sem que me jogassem uma bronca. vamos sentar nos um momento... OH, 
no, minha me me est chamando. Importa-te conversar com minha famlia um pouco mais?
   -No, claro que no. Caem-me muito bem seus pais. So encantadores. 
   -Curiosos mas bem. 
   -Sobre mim? por que?
   -Digamos que esto tentando averiguar se poderia ser uma boa nora. 
   -O que? 
   Jackson soltou uma risinho.
   -No se preocupe, preciosa. Eu no penso me casar com ningum.
   Olivia foi cordial com os senhores Crow, mas quando Jackson se aproximou de conversar com uns amigos aproveitou para apartar-se.
   No tinha inteno de voltar a cair em seus braos. O que ocorreu um ano e meio atrs foi sozinho porque Thomas apareceu no banquete.
   Olivia saiu ao ptio e se sentou em um banco de pedra, esperando que no a vissem do interior.
   sentia-se um pouco ridcula, uma mulher adulta escondendo-se como uma menina. Mas levava tantos anos fazendo-o para sobreviver que era uma resposta quase como 
a dos ces do Pavlov. Algo instintivo. Quando se sentia ameaada, saa correndo.
   Jackson Crow no era uma ameaa fsica para ela, mas no se confiava. Desgraadamente parecia escolher sempre homens abusivos. Acreditou que Rick, seu noivo da 
universidade, era um menino carinhoso at a primeira vez que perdeu os papis. E seu ex-marido, Thomas...
   Olivia sentiu um calafrio.
   Aps tinha rechaado manter uma relao sria com nenhum homem. No tinha foras para isso.
   E tampouco queria voltar a ter uma aventura com o Jackson. Embora sempre estava fazendo o palhao, intua que em realidade era um homem muito intenso. A primeira 
vez que seus olhos se encontraram, estremeceu-se. A primeira vez que a beijou, seu corpo era um incndio. E quando fizeram o amor... perdeu a cabea.
   E esses sentimentos seguiam ali.
   Jackson Crow era um problema. Felizmente, quando ocupasse seu novo posto em Austin estariam a trezentos quilmetros de distncia.
   
   Com um prato em cada mo, Jackson olhou ao redor.
   Mitch Harris apareceu ento.
   -perdeste algo?
   -Sim -respondeu ele.
   Onde demnios estava Olivia?
   -pensaste o de formar parte da Comisso?
   -Tenho outras coisas em mente. 
   -J me dei conta -riu seu amigo-. Uma mulher muito bonita.
   -No ponha suas sujas mos sobre ela, Mitch. Esta garota  especial. Se tentar algo, parto-te as duas pernas.
   Mitch fez um gesto com as mos.
   -Tranqilo. Oua Jackson, de verdade quero que pense o da Comisso.  preparado e no conheo ningum que tenha as coisas to claras como voc.
   Ele fez uma careta.
   -Que mentiroso .
   -No, srio. Voc conhece o negcio do petrleo de cima abaixo e me viria muito bem na Comisso.  perfeito para o posto.
   -A verdade  que o eis estado pensando. Mas teria que me mudar a Austin, no?
   -Temo-me que sim. Mas no  permanente... solo at as prximas eleies, j sabe.
   Alm disso, em Austin temos bons campos de golfe.
   -Nenhum to bom como o meu. Alm disso, os campos de golfe de Austin no so o que mais me interessa agora mesmo.
   -J -sorriu Mitch-. Mas logo teremos algo que nenhuma outra cidade do estado tem:  encantada Olivia.
   Jackson no pde evitar um sorriso.
   -Isso parece.
   -Se aceitar o posto, direi-te onde pode encontr-la.
   -Trato feito, amigo.
   
   Captulo Trs
   
   Olivia se deteve frente  garagem e saudou a doutora Tessa Jurney, que estava sentada no alpendre.
   Agradecendo estar em casa e agradecendo mais que fora sexta-feira, saiu do forno que era seu carro. Como os assentos eram de couro, lhe pegava o vestido  costas.
   -Vem tomar um ch gelado -chamou-a Tessa-. Parece a ponto de te derreter.
   -Derreti-me faz tempo -riu ela-. Sempre faz tanto calor?
   -Nesta poca do ano? Sempre. A gente de por aqui diz que no Texas h duas estaes: vero e agosto. Graas a Deus, agosto terminou. Setembro  suportvel e outubro 
 maravilhoso -sorriu Tessa, lhe servindo um copo de ch gelado.
   Olivia tomou um comprido trago e depois se passou o copo pela cara.
   -O primeiro que vou fazer quando me pagarem  arrumar o ar condicionado do carro. Em Avermelhado no me fazia falta, mas aqui... Nem sequer sabia que estava quebrado 
at que cheguei ao Texas.
   -Eu posso te emprestar o dinheiro...
   -No -interrompeu-a Olivia-. Ed e voc j tm feito muito por mim... me ajudando a conseguir o trabalho e me deixando viver no apartamento sobre a garagem virtualmente 
por nada. No quero emprstimos, mas obrigado de todas formas.
   -Ao menos, te leve o carro do Ed. Seguir em Atlanta durante dez dias mais e est parado na garagem.
   Com aquelas temperaturas era uma tentao, mas Olivia no queria ser uma pedinte. No estava acostumada a depender da generosidade de ningum nem a viver com 
apuros at que... at que deixou ao Thomas levando-se solo o carro, sua roupa e as poucas coisas que pde guardar em uma bolsa.
   Nem sequer pde pedir ajuda a seu pai, embora temia por sua vida.
   Durante os ltimos anos, tinha aprendido a sobreviver com muito menos do que acostumava a ter... e estava mil vezes mais contente.
   Durante dois anos, a doutora Jurney tinha sido a tutora de sua tese na Universidade de Washington. Ela e sua famlia se mudaram ao Texas pouco antes de que Olivia 
visse sua vida ameaada e sempre tinham permanecido em contato.
   Tessa e Irish eram as duas nicas pessoas que conheciam toda sua histria. Olivia sempre tinha querido terminar o doutorado, mas com o Thomas atrs dela... teve 
que deix-lo durante um tempo. At que Tessa moveu os fios para que pudesse terminar seus estudos. 
   -Que tal as classes?
   -De maravilha. Tenho um par de alunos realmente brilhantes e desfruto de muito do seminrio com o doutor Bullock. Embora haja que ler toneladas de livros. Agora 
mesmo venho da biblioteca.
   Enquanto Tessa voltava a encher os copos, um caminho de mudanas se deteve diante da casa de em frente.
   -Parece que j temos vizinhos. 
   -Sabe quem comprou a casa? -perguntou Olivia.
   -No. Jenny e seus amigas esperam que seja uma famlia com um filho que "esteja para morrer".
   Jenny era a filha pequena dos Jurney. Tinham tambm um filho, Bill, de dezesseis anos. Parte do trato por ficar no apartamento era cuidar deles quando Tessa e 
seu marido se foram de fim de semana. Jenny e Bill estavam nessa idade to difcil em que no podem ter bab, mas tampouco podem estar sozinhos. Sobre tudo, os fins 
de semana.
   Um esportivo se deteve ento atrs do caminho e uma loira de largas pernas saiu correndo para a casa.
   -A proprietria? -perguntou Olivia.
   -Tem pinta de decoradora -disse Tessa-. E das caras.
   As duas seguiram especulando enquanto os da mudana colocavam sofs, cadeiras e mesas. Nas duas semanas que levava em Austin, a questo dos novos vizinhos tinha 
sido um tema constante de conversao.
   A casa se vendeu um dia depois de que ela chegasse e ento comeou o desfile de eletricistas, encanadores e jardineiros.
   Era uma casa preciosa que Olivia olhava com certa inveja. Estava grafite de cor ocre, com telhas vermelhas e um enorme jardim oculto por um muro de pedra. Uma 
casa divina de estilo espanhol... mas seu pequeno apartamento era estupendo tambm. E se sentia muito agradecida pelo ter. Embora estava decorado com os mveis que 
no cabiam em casa da Tessa, era simptico e cheio de luz. Alm disso, o primeiro fim de semana, Olivia saiu a comprar coisas nos mercadinhos e conseguiu verdadeiras 
gangas.
   Ento sorriu, pensando no Dani ou Michelle ou qualquer de seus amigas bregas de Califrnia. Se a vissem comprando mveis em um mercadinho... Mas tinha passado 
muito tempo desde que saiu de Califrnia e os amigos que tinha feito naquele tempo gostava de muito mais.
   -por que te ri? -perguntou-lhe Tessa.
   -Estava pensando em como eu gosto de Austin... e me passear pelos mercadinhos. Quer que vamos amanh?
   -No posso. Jenny tem um partido de basquete e eis prometido ir ver a.
   Outro enorme caminho estacionou frente  casa.
   -Parece que a incerteza do Jenny est a ponto de terminar. E espero que o novo vizinho seja um "tio para comer-lhe como ela diz.
   
   na sbado pela manh Olivia estava escovando-os dentes quando algum chamou o timbre. Certamente Tessa, pensou. Foi correndo a abrir a porta...
   E se encontrou de frente com o Jackson Crow. Com um sorriso nos lbios e uma taa enganchada no dedo indicador.
   -bom dia -saudou-a, tocando o chapu texano.
   -O que est fazendo aqui? 
   -vim a te pedir um pouco de acar. 
   -vieste que muito longe para pedir acar, no? Como me encontraste?
   -Irish me deu sua direo. E uma garota ruiva com um aparelho nos dentes me disse que vivia aqui acima. Jenny creio que se chama... Cheiro a caf? Daria cinqenta 
dlares por uma taa de caf.
   Olivia deixou escapar um suspiro. 
   -Vale, entra. Mas no pode ficar muito momento. Vou s compras.                                 
   -Como voc diga, senhora.
   Jackson atirou o chapu sobre o sof e a seguiu  cozinha. 
   -Com leite?
   -Sim. E uma colherada de acar. O apartamento  muito bonito. 
   -Obrigado. eu gosto.
   -Muito acolhedor -disse Jackson, to perto que podia cheirar sua colnia.
   Olivia tentava comportar-se como se ele fora a visit-la todos os dias, mas estava to nervosa que lhe caiu o acar no suporte.
   por que tinha que ficar to perto?
   Ofereceu-lhe a taa e deu um passo atrs. Desgraadamente, a cozinha era muito pequena e o forno lhe impedia de ir mais  frente. A presena do homem enchia a 
estadia e Olivia teve que tragar saliva.
   -Ah, que rico. Faz um caf estupendo. No ter uma bolacha, verdade?
   -No, mas tenho barritas energticas. Quer uma?
   -Vale.
   -Muito bem. Perdoa, mas tenho que ir.
   -por que tanta pressa?
   -J te tenho dito que vou ao mercadinho. Se no me der pressa, as coisas boas voaro.
   -O mercadinho, n? No me pega nada que voc compre coisas em um mercadinho -sorriu Jackson-. por que no vou contigo?
   Olivia o tentou tudo para dissuadi-lo, mas no houve maneira. E o ltimo que desejava era passar a manh com o Jackson Crow e seu extraordinrio sorriso.
   Bom, o ltimo no.
   Em realidade, estava mais alegre desde que ele apareceu. Certamente, porque era um rosto familiar. Mas passar tempo com o Jackson no era sensato. Felizmente, 
ele vivia a muitos quilmetros de distncia.
   -por que vieste? -perguntou-lhe, enquanto baixavam  rua.
   -vim a verte... a te pedir emprestado um pouco de acar.
   Olivia levantou os olhos ao cu. 
   -Refiro a por que vieste a Austin. 
   -Por negcios.
   -No deveria estar trabalhando? 
   Jackson ficou os culos de sol, sorrindo. 
   -No comeo at na segunda-feira. Tenho todo o fim de semana livre. Quer que eu conduza? 
   -No, obrigado. Eu conduzo e voc faz de co-piloto -respondeu ela, abrindo a porta do carro antes de que o fizesse o sempre cavalheiresco Jackson.
   
   -Perdemo-nos outra vez! -exclamou Olivia
   -Que horror. por que no pra a?
   Jogando fumaa, ela deteve o carro e tirou o plano.
   -Perdemo-nos. Tenho-te dito que fizesse de co-piloto.
   -J te disse que me dava melhor conduzir.
   depois de estudar o plano, Olivia comprovou que estavam a duas mas do mercadinho que Tessa lhe tinha recomendado.
   -A ! Estiveste-me fazendo dar voltas -espetou-lhe, irritada.
   Era a terceira vez que se perdiam. E comeava a acreditar que Jackson o estava fazendo a propsito.
   -Sinto muito, cu -sorriu ele-. Mas te compensarei. Convido-te a comer, vale? Voc gosta da comida mexicana?
   -eu adoro, mas tenho que encontrar um escritrio. Se tivssemos chegado antes ao mercadinho da rua Elm teria comprado esse to bonito...
   -A pata estava rota. Encontrar um melhor, j ver. Ao menos compraste uma ganga de torrador. Dois dlares no est nada mal.
   -Conseguiu-o voc -riu ela-. No posso acreditar que pusesse a discutir por cinqenta centavos. Pensei que nunca tinha ido a um mercadinho.
   -Meu av tem um pouco parecido em uma de suas lojas.
   -Como?
   -Aluga espao em uma das lojas de Dallas para a gente que quer vender coisas de segunda mo. Ali aprendi a regatear como o melhor. Meu av Pete  um professor 
nisso.
   -Mas se for multimilionrio.
   -Certamente, mas  uma pessoa muito normal. Todos o somos. Nada o pe mais nervoso que algum que se faz o finrio.
   -Finrio? -repetiu Olivia, sorrindo.
   -Palavras de meu av -respondeu Jackson, descendo do carro.
   Ela o viu imediatamente: um escritrio modernista que tinha sido pintado de uma horrvel cor verde. Mas reformando-o seria precioso. E perfeito para seu apartamento.
   -Voc gosta? -perguntou-lhe Jackson.
   -eu adoro. Baixo essa horrvel pintura verde h um bom mvel.  exatamente o que tinha estado procurando... melhor inclusive.
   -Estupendo. Vamos por ele.
   Quando Olivia olhou o preo, deixou escapar um suspiro.
   -Creio que o proprietrio sabe o que tem. Sessenta e cinco dlares. Embora siga sendo muito barato no posso compr-lo. Eu esperava encontrar algo por trinta 
ou quarenta.
   -Talvez podemos regatear um pouco.
   
   Jackson sabia o que ia passar antes de que Olivia dissesse uma palavra. Mas se quase tinha lgrimas nos olhos... Lhe rompia o corao de v-la assim.
   Lhe teria comprado cem escritrios horrveis como aquele, mas sabia que ela era muito independente para aceitar presentes. antes de comear, tinha-lhe advertido 
que no tirasse a carteira ou voltaria andando a casa e ele se guardou muito muito.
   Mas no podia suportar ver seu carita de pena enquanto passava a mo pelo escritrio. -No h nada a fazer, n? Olivia negou com a cabea. -Solo consegui que 
me rebaixe quinze dlares... No pensar comprar essa porcaria? Jackson olhou o tatu dissecado que tinha na mo.
   -eu gosto. E a meu av adora estas coisas. Alm disso, dentro de pouco  seu aniversrio. E estas toalhas de praia... Por certo, vi um abajur muito bonito por 
a. Ao melhor gostaria.
   Enquanto Olivia olhava o abajur, lhe fez uma oferta  proprietria dos mveis. A mulher o olhou com cara estranha, mas aceitou o trato. depois de lhe pagar, Jackson 
voltou ao lado da Olivia com o tatu e as toalhas sob o brao.
   -Acabo de conseguir um desconto incrvel. Cinqenta e seis dlares pelo escritrio, o tatu e as toalhas.
   -Cinqenta e seis dlares... -ela o olhou, receosa-. Quanto te h flanco esse inseto horroroso?
   -Muito. Mas tenho feito um bom trato. Vinte e cinco pelo escritrio, vinte e cinco pelo tatu e seis pelas toalhas -sorriu Jackson-. A meu av vai encantar o inseto.
   -por que no te creio?
   -Pois no sei. A meu av adora os animais dissecados. Por-o em seu museu.
   -Ah,  verdade. Irish me contou que tinha um museu.
   -Est cheio de coisas estranhas. Minha me diz que  mais que caipira, de modo que tem estilo.
   -De todas formas, sigo sem acreditar que te tenha deixado o escritrio por vinte e cinco dlares.
   -lhe pergunte  senhora -disse ele, ofendido.
   E Olivia o fez.
   Jackson teria podido beij-la quando lhe respondeu, muito sria:
   -Esse era o trato. Vinte e cinco pelo escritrio, vinte e cinco pelo tatu e seis pelas toalhas. vo levar se o escritrio agora?
   -Viremos depois com minha caminhonete -respondeu Jackson levando-se a Olivia do brao, mais contente que umas pscoas-. Agora, a comer.
   Pagar vinte e cinco dlares por um poeirento tatu dissecado que no devia custar mais de dois tinha merecido a pena.
   No carro, ela insistiu em lhe pagar o escritrio e Jackson aceitou o dinheiro.
   -por que no pe o ar condicionado? Aqui faz muito calor.
   - que no funciona.
   -O que lhe passa?
   -No sei. Nos dia quinze o levo a oficina.
   -por que esperas at nos dia quinze?
   -Porque  quando me pagam. 
   Jackson se mordeu a lngua. No lhe surpreenderia nada que insistisse em pagar tambm a comida. E o fez.
   -Sinto muito, mas tenho dito que te convidava a comer e te convido.
   -De acordo -assentiu Olivia por fim-. Encantou-me o assado de carne  mexicana.
   -A melhor da cidade. Em Austin se come muito bem. Que tal se jantarmos juntos esta noite?
   -Obrigado mas no, Jackson. J te tenho dito que no quero sair com ningum.
   -Sair? Eu tenho que jantar, voc tem que jantar... por que no? ficaste com algum?
   Olivia negou com a cabea.
   -No. Penso me pr a reformar o escritrio e depois a preparar minhas classes.
   Jackson no pensava render-se sem lutar, mas no momento o deixaria.
   
   Olivia tinha estado louca por permitir que Jackson Crow estivesse a menos de cinqenta metros, idiota por ir com ele aos mercadinhos e completamente desequilibrada 
por aceitar o convite a comer.
   Conduzir com o Jackson no assento do lado era uma tortura. No tinha esquecido nada de sua noite em Ohio, nem suas mos, nem sua boca... 
   -Cuidado!
   Ela pisou no freio e esteve a ponto de bater-se contra o carro que tinha diante.
   -Sinto muito, no o tinha visto -disse, ficando uma mo no peito-. Perdoa.
   -No passa nada. Quer que eu conduza?
   -No.
   Olivia seguiu conduzindo enquanto olhava ao Jackson pela extremidade do olho. Ele tinha um cotovelo apoiado no guich e parecia absolutamente depravado. Se tivesse 
sido Thomas lhe haveria dito que era uma estpida. Alm disso, no podia imagin-lo passando uma manh de sbado nos mercadinhos. E desfrutando.
   Sim, era melhor que Jackson vivesse to longe. Inclusive para uma mulher que tinha jurado no voltar a ter uma relao sentimental, algum como ele era difcil 
de resistir.
   -Onde est sua caminhonete? -perguntou-lhe quando chegaram a casa.
   -Na garagem.
   -Na garagem? Esto-a reparando?
   -No, a caminhonete est perfeitamente. Est em minha garagem. Vamos pelo escritrio?
   -No te entendo. Onde est sua garagem?
   -A -respondeu Jackson, assinalando a casa de em frente.
   
   Captulo Quatro
   
   -Que vive a?
   Jackson sorriu.
   -Sim, mudei-me ontem  noite.
   Olivia ficou plida.
   -por que?
   -os da mudana j haviam o trazido tudo. Alm disso, tenho que comear a trabalhar na segunda-feira, assim que me pareceu o melhor.
   -Quero dizer por que precisamente a.
   -Necessitava um stio para viver, Olivia.  uma casa muito bonita. Quer entrar em v-la?
   -Jackson Crow, deixa de te fazer o parvo! por que escolheste uma casa precisamente em frente da minha?
   -Uma sorte, verdade? J sabe que eu sempre tenho sorte.
   -Jackson, no me conte histrias. No compraste essa casa por acaso! Compraste-as para me fazer a vida impossvel!
   -Carinho, no te zangue comigo. Juro-te sobre a Bblia que nunca eis querido te fazer a vida impossvel. Quando aceitei o cargo que Mitch me tinha proposto estive 
olhando um monto de casas em Austin. Mas esta  a que mais eu gostei, de verdade -disse ele, pondo cara de inocente.
   -Quando a comprou? 
   -Pois... faz duas semanas, creio. 
   -Que dia exatamente?
   -No sei... -murmurou Jackson, metendo-as mos nos bolsos da cala-. Creio que assinei os papis um dia depois das bodas do Matt. Conforme creio, voc seguia 
em Dallas com o Irish, no? Nem sequer tinha chegado a Austin. vamos procurar o escritrio?
   Olivia deixou escapar um suspiro. 
   -De acordo. 
   -Em marcha.
   Quando lhe ps uma mo nas costas para lev-la  garagem, ela deu um coice. por que aquele gesto, que no lhe teria afetado com nenhum outro homem, com o Jackson 
a fazia tremer? Viver to perto ia ser um problema, mas no podia lhe pedir que se fora de uma casa que acabava de comprar e ela no podia trocar-se de apartamento.
   -Se for ser meu vizinho, teremos que estabelecer umas regras.
   - obvio, cu. Voc faz a lista e a discutiremos mais tarde. Importa-te vir comigo ao supermercado? O do acar no era de brincadeira. No tenho nada na geladeira.
   -Pobrezinho.
   Jackson ignorou o sarcasmo com um sorriso.
   -Me vou morrer de fome.
   Olivia tentou seguir molesta com ele, mas havia algo no Jackson Crow que a desarmava por completo.
   -Que classe de posto aceitaste com o Mitch?
   -Sou o novo membro da Comisso de Governo. Questes de petrleo e coisas assim. Tinham eleito a trs membros, mas pilharam a um deles levando-se dinheiro.
   -E durante quanto tempo vais formar parte da Comisso?
   -Um ano mais ou menos. No  esse o tempo que voc vais estar em Austin?
   Olivia o olhou, receosa.
   -Quando te pediu o governador que formasse parte da Comisso?
   -Faz seis semanas. Muito antes de que voc chegasse ao Texas... embora se tivesse sabido que vinha, teria preparado uma recepo. Quer ver minha casa?
   -Em outro momento. Quero comear a reformar o escritrio quanto antes.
   -Eu te ajudarei -sorriu Jackson-. Tirar capas  minha especialidade.
   
   Olivia estava limpando as ltimas capas de verde com um trapo. Sob a pintura, tinha encontrado uma preciosa madeira de nogueira. ia ser um escritrio maravilhoso.
   Com a lixa na mo, olhou de esguelha o traseiro que aparecia sob o cap de seu carro. Os traseiros em realidade, um do Jackson e o outro do Bill Jurney. Jackson 
tinha insistido em lhe jogar uma olhada ao ar condicionado e o filho da Tessa se apontou imediatamente. Era uma dessas coisas dos homens. Bill, que acabava de tirar 
a carteira de motorista, adorava ao alto vaqueiro que parecia sab-lo tudo sobre carros. 
   -Eu creio que j est -disse ento Jackson, incorporando-se-. Que tal vai a reforma? 
   -Quase terminei com o primeiro passo, mas tenho que limp-lo de tudo para lhe dar verniz. De verdade arrumaste o ar?
   -Creio que sim. Bill, ponha em marcha para ver se funcionar.
   depois de uns minutos, Jackson anunciou que o trabalho parecia e fechou o cap com um sorriso de satisfao. 
   -Muitssimas obrigado. 
   -De nada. Quer que te ajude? 
   -J tem feito mais que suficiente. Mas insisto em pagar por quo reposies tenha comprado.
   -No me ho flanco mais de dez dlares, Olivia. me faa um bolo de chocolate e me dou por pago.
   -Trato feito -sorriu ela.
   No tinha feito nunca um bolo de chocolate, mas poderia tent-lo. Ou comprar uma na confeitaria.
   Jackson insistiu em ajud-la com o escritrio e, meia hora depois, metiam-no na garagem para dar a primeira capa de verniz.
   - incrvel que esta seja a mesa que compramos esta manh. Parece nova.
   -Verdade que sim? -sorriu Olivia, tirando-os luvas.
   Jackson olhou seu relgio.
   -Tenho tempo para me trocar antes de jantar. Volto dentro de quinze minutos.
   -No posso jantar contigo. Tessa tem uma reunio e o eis prometido fazer hambrgueres para seus filhos e uns amigos.
   -Sei -sorriu ele, lhe piscando os olhos um olho-. Bill me h convidado. E penso trazer a sobremesa.
   
   Durante o jantar no jardim, Jackson deixou apaixonados a todas as crianas. Jenny e as gmeas dos Dobson, Erin e Edie, olhavam-no como se fora Brad Pitt, rendo 
como solo as meninas de treze anos podem rir. Bill e seu amigo Greg levantavam os olhos ao cu, mas no perdiam palavra do que Jackson estava contando.
   -Que genial -disse Greg.
   -Quantos anos tinha quando foste fazer rafting pela primeira vez? -perguntou Bill.
   -Estava no primeiro ano de universidade.
   -Jo, eu gostaria de passar um vero fazendo isso.
   -A mim tambm -suspirou Jenny.
   -Sim, seguro. Morreria de medo -replicou seu irmo.
   -Disso nada!
   -Poderamos ir fazer rafting ao rio Guadalupe.  um rio com poucas correntes -disse Jackson ento-. Tem-no feito alguma vez, Olivia?
   -Nem sequer sei do que est falando. 
   -De baixar um rio em canoa ou em lancha pneumtica.
   -Ah, no. No o tenho feito nunca.
   -Poderamos ir um fim de semana. Se os Jurney derem sua permisso, claro.
   -Onde querem ir? -perguntou Tessa, que acabava de aparecer no jardim.
   -Ol, Tessa. Jackson quer levar-se aos meninos ao rio Guadalupe.
   -E a ti tambm -disse ele. -Eu no...
   -Por favor, Olivia -insistiu Jenny-. Por favor, por favor.
   Quando outros meninos se uniram ao coro, ela levantou as mos ao cu.
   -Vale, vale. Mas solo sim seus pais esto de acordo.
   -me parece muito bem -disse Tessa. 
   Olivia a fulminou com o olhar, mas seu amiga no se deu por aludida. Desde que conheceu o Jackson Crow aquela tarde lhe tinha metido na cabea emparelh-los. 
   -J veremos.
   -Que tal o prximo fim de semana? -perguntou Jackson ento-. Se esperarmos muito, comear a fazer frio.
   -Mas seremos sete, oito se vier Tessa. Como vamos? -protestou Olivia.
   -Comigo no contem -disse ela-. Eu no sei nadar... mas podem lhes levar minha caravana.
   -Isso no  problema -sorriu Jackson-. Direi a um de meus meninos que traga um mini-nibus do clube.
   -Que clube?
   -O Ninho do Crow. Um clube de golfe que tenho em Dallas.
   -O Ninho do Crow? Parece-me que meu marido jogou ali alguma vez com seus amigos -disse Tessa.
   - possvel -assentiu ele.
   -Bom, meninos, hora de ir-se dormir. Bill, importa-te acompanhar ao Erin e Edie a casa?
   Olivia e Jackson ficaram sozinhos no jardim.
   -Eu tambm tenho que ir  -disse ela ento-. Obrigado por arrumar o ar condicionado e por me ajudar com o escritrio.
   -De nada. Acompanho-te  porta.
   -S tenho que subir a escada.
   -Pois te acompanho acima.
   A escada era muito estreita, de modo que Olivia ia diante. Quando chegou ao patamar se voltou, nervosa.
   -J chegamos.
   -Sim -murmurou ele, desenroscando a lmpada.
   -por que tem feito isso?
   -Pelos insetos.
   antes de que pudesse protestar, Jackson a beijou.
   Seus lbios eram quentes, seus braos fortes, o aroma de sua colnia...
   A Olivia custou trabalho apartar-se. Mas... um minuto depois encontrou foras para faz-lo. 
   -Esta  uma das regras. Nada de beijos.
    -Nada de beijos? 
   -No.
   -Nem sequer um pequeno como este? -murmurou ele, beijando-a na comissura dos lbios. Olivia negou com a cabea
   -Nem isto? -insistiu, beijando-a nas plpebras.
   -No.
   -E que tal isto? -disse Jackson ento, passando a lngua por seu pescoo.
   -Certamente que no!
   -Mas morrerei se no deixar que te beije -protestou ele, beijando-a de novo.
   A Olivia lhe dobravam os joelhos. E teria seguido beijando-o se Jackson no se apartou.
   -boa noite, carinho. Que durma bem. Ela ficou imvel na escada, como se a tivesse golpeado um raio.
   
   Captulo Cinco
   
   Acabava de amanhecer quando Olivia comeou a dar a segunda capa de verniz. No tinha pego olho em toda a noite, ensaiando o discurso que pensava lhe dar ao Jackson 
assim que o visse. Embora muitas mulheres estariam encantadas com suas cuidados, ela no tinha inteno de ser nada mais que uma amiga.
   No haveria beijos... nem nada mais. Seu objetivo era terminar a tese e depois procurar trabalho como psicloga. Ter um homem em sua vida no figurava em seus 
planos. Tinha aprendido a lio e pensava ser completamente independente.
   Mas, apesar de sua determinao de ignorar ao Jackson, no podia deixar de olhar para sua casa de vez em quando.
   No havia movimento.
   Seguiu dando verniz e olhou de novo. Nada.
   Estava quase terminando quando a caminhonete do Jackson apareceu na rua. Onde demnios tinha ido to cedo?
   Embora no era assunto dele.
   -bom dia.
   Olivia levantou o olhar e o viu uns metros dela. Nem sequer o tinha ouvido chegar. Aquele homem se movia como um pantera.
   -bom dia. Levantaste-te muito cedo.
   -Cedo? Carinho, j tenho feito dez covas esta manh.    
   -estiveste jogando golfe?
   -Sim. O prometi ao Mitch. E me alegro de que voc tambm esteja levantada. tomaste o caf da manh?
   -No, mas...
   -Eu tampouco e estou morto de fome. vamos tomar o caf da manh ao caf Magnlia. Fazem umas omeletes de cogumelo para chup-los dedos. 
   -No, obrigado. Tomarei uma torrada quando terminar com o escritrio.
   -Tambm torrou no Magnlia. Tm de tudo, mas as omeletes so incrveis.
   Olivia tentou lhe explicar que no queria ir a nenhuma parte e que no pensava beij-lo nunca mais. Disse-lhe tudo o que tinha ensaiado de noite, mas Jackson 
simplesmente sorriu.
   -Vale, carinho. Se quiser que sejamos amigos, seremos amigos. Venha, estou morto de fome.
   -Mas no posso ir assim... -Olivia assinalou a camiseta cheia de manchas. Tinha descido de seu apartamento com um acrscimo e uma cala curta, sem lav-la cara 
sequer.
   -me parece que est muito bonita. Alm disso, em Austin ningum se arruma.
   -J me dei conta -suspirou ela.
   Tentou procurar alguma outra desculpa, mas no lhe ocorria nenhuma. E para rematar o assunto, seu estmago comeou a fazer rudos.
   -Vamos, Olivia. No seja tola.
   antes de que pudesse discutir, Jackson a tirou do brao para lev-la a sua caminhonete.
   
   Jackson no podia deixar de sorrir enquanto Olivia se tomava a ltima tortita. Estava coladinho por ela. Estar a seu lado o fazia sentir como o rei da criao. 
Lhe teria gostado de subir  mesa e comear a dar gritos de alegria.
   Nunca havia sentido nada assim... estando sbrio. E comeava a entender por que Matt e Kyle ficavam to parvos com o Eve e Irish.
   Ela acreditava que estava horrorosa, mas ao Jackson parecia a mulher mais bonita do mundo. Gostava de sua juba escura despenteada e nem o ruge nem o carmim a 
fariam mais bonita. Era uma beleza natural. Inclusive com aquela camiseta velha tinha uma elegncia inata... e um tremendo atrativo sexual. A metade dos homens do 
caf estavam olhando-a de esguelha.
   Olivia podia dizer que eram amigos, mas amizade no era o que ele tinha em mente. Queria-a na cama, a seu lado. Mas no era tolo. Sabia que havia algo em seu 
passado que a fazia recear dos homens e pensava ir devagar. Mas no retrocederia em seu empenho. No pensava deix-la escapar de novo e se para isso tinha que pegar-se 
como um marisco, faria-o.
   Estava desejando toc-la... mas se o fazia certamente lhe daria outro bate-papo sobre sua "amizade platnica". Mesmo assim, incapaz de conter-se, alargou a mo 
para tocar sua cara. Olivia deu um coice. 
   - que tinha uma pestana. 
   -Ah, obrigado -disse ela, deixando o garfo sobre o prato-. Que fome tinha.  verdade, aqui a comida  muito bom. E tambm tinha razo sobre outra coisa: ningum 
se arruma em Austin.
   -A gente daqui no se preocupa por isso. Mas tm os melhores restaurantes do estado. pode-se comer em um stio diferente cada dia e no repetir em um ano. comeste 
alguma vez serpente de cascavel?
   Olivia soltou uma gargalhada alegre. Uma dessas gargalhadas que tanto lhe recordavam a noite que passaram juntos.
   -No, obrigado. No estou interessada em comer cobras.
   -Pois no est to mal. Aos subrbios da cidade h um restaurante especializado nisso e em lagartos. E tambm h um bar irlands que tem orquestra os domingos 
de noite. Poderamos ir um dia.
   -Jackson,  que no ouviste o que te tenho dito antes?
   Ele tomou sua mo, sorrindo. 
   -A que te refere, cu? 
   -Isto... isto precisamente. 
   -O que?
   -Isto... que tome minha mo, que me olhe assim...
   -Refere-te ao desejo que sinto de te jogar xarope por todo o corpo e lamber cada gota?
   -Jackson!
   -Perdoa, carinho.
   Olivia apartou a mo.
   -Por favor, deixa de me chamar carinho. E vamos. Temos que falar... em privado -disse, levantando-se.
   Tinha-o quebrado, pensou Jackson enquanto tirava a carteira. Era um bocudo. Estava-o pensando, mas no devia hav-lo dito... Entretanto, por que no admitia Olivia 
que havia algo entre eles? Era evidente.
   Mas estava muito zangada e foi lhe dando a bronca durante todo o caminho. Ele tentou defender-se, mas solo conseguia zang-la mais, de modo que decidiu fechar 
a boca e esperar que passasse o temporal.
   Mas no podia entender por que estava to alterada.
   
   Olivia no entendia por que estava to zangada. passou-se muito, mas a reao do Jackson foi dizer: "Carinho, est-me rompendo o corao".
   Seu ex-marido teria replicado de forma muito diferente.
   Mas Olivia era psicloga e sabia por que tinha reagido dessa forma. Era um mecanismo de defesa, puro e simples. A imagem do xarope sobre seu corpo era mais atrativa 
do que queria reconhecer. Jackson Crow se estava aproximando muito e isso a assustava.
   No podia negar que desfrutava de sua companhia, que o encontrava muito bonito, simptico e terrivelmente atrativo. Esse era o problema.
   Seria to fcil...
   No. No estava preparada para confiar em um homem. Havia-lhe flanco muito chegar onde estava e no ia danificar o.
   depois de tomar banho, vestiu-se e tomou uma mochila. Pensava pass-la manh na biblioteca.
   Quando estava subindo a seu carro, um esportivo vermelho estacionou frente  casa do Jackson e uma loira jovencsima, com cala curta e uma camiseta que deixava 
ao descoberto seu umbigo, entrou pela porta do jardim.
   Olivia esperou um momento, mas a loira no voltou a sair.
   E Jackson havia dito que lhe estava partindo o corao... mido hipcrita.
   Fazia bem em estar zangada. Ao Jackson Crow no importava um nada. E enquanto estivesse ocupado com "Miss pernas largas" no a incomodaria. Melhor.
   Estupendo.
   Por fim, meia hora depois, conseguiu concentrar-se nos livros e se dedicou a sua investigao em corpo e alma. Quando voltava para casa, estava entardecendo.
   E o esportivo vermelho seguia frente  casa do Jackson.
   Mas no lhe importava.
   Com a cabea bem alta, Olivia saiu do carro dando uma portada e subiu a seu apartamento. Nada mais entrar, atirou a mochila no sof e entrou na cozinha. Mas no 
porque da janela pudesse ver a casa do Jackson, mas sim porque tinha sede. Bebeu dois copos de gua e depois limpou a pia. E depois o suporte e os armrios.
   Lhe estavam enrugando os dedos quando "Miss pernas largas" saiu da casa, com o Jackson detrs. Estavam rendamos-se e antes de entrar no carro a loira lhe deu 
um beijo na cara.
   Olivia atirou a bucha na pia e se deu a volta, furiosa.
   
   Como estava acostumado a passar depois daquelas sesses maratonianas, Jackson tinha uma horrvel dor de cabea. tomou uma aspirina e descansou um momento no sof, 
com os olhos fechados. Quando por fim se sentiu um pouco melhor, saiu de sua casa e se dirigiu ao apartamento da Olivia.
   antes de subir jogou uma olhada na garagem e viu que o verniz se secou, de modo que subiu o escritrio pela escada.
   Chamou o timbre um par de vezes, mas ela no abriu a porta.
   -Sou Jackson! Quer que vamos ao cinema?
   Olivia abriu ento e Jackson tentou entrar, mas estava arremesso a cadeia. No podia v-la bem, mas tinha uma toalha ou algo na cabea.
   -No posso. Pu-me uma mscara no cabelo e tenho que preparar as classes de amanh.
   -Que tal se pedirmos comida a China?
   -No, obrigado -respondeu ela, antes de lhe dar com a porta nos narizes.
   Jackson voltou a chamar.
   -Tenho-te gasto o escritrio!
   Olivia abriu de novo.
   -No fazia falta.
   -J sei, mas como pesa tanto...
   Ela abriu a porta, com cara de poucos amigos.
   -Entra.
   -Onde o ponho? 
   -A, ao lado da janela. 
   Jackson deixou o escritrio no cho e deu um passo atrs.
   -A verdade  que ficou precioso. Quem teria podido imaginar que baixo essa capa de horrvel pintura verde houvesse algo to bonito?
   -Obrigado por subi-lo.
   -De nada -sorriu ele. Olivia levava um penhoar azul e cheirava a flores silvestres-. Seguro que no quer jantar? Eu no gosto de comer sozinho.
   -Ao melhor "Miss pernas largas" quereria jantar contigo.
   Jackson franziu o cenho.
   -Quem?
   -A ruivinha do umbigo de fora com a que passaste a tarde.
   -Tami?
   -Suponho que ser ela. Ou Tiffany.
   O soltou uma gargalhada. Se no a conhecesse bem, diria que estava ciumenta. V, v, v. Pensou faz-la sofrer um pouquinho, mas depois decidiu que a verdade 
sempre vai a todas partes.
   -Tami  uma de meus ajudantes.
   -Ajudantes? Pois no tem pinta de ajudante. Vi-a quando ia  biblioteca e ... muito Mona.
   -Sim,  Mona. E lista. Como Paulie.
   -Quem  Paulie?
   -Seu filho. dela e do Jimmy. Tem trs anos.
   -Jimmy?
   -No, Paulie. Jimmy tem vinte e cinco.
   -Espera um momento. Quem  Jimmy?
   -O marido do Tami. Os dois trabalharam em meu campo de golfe o ano passado. O pai do Tami e eu somos amigos. Ela acaba de terminar veterinria e est fazendo 
o doutorado.
   -J vejo.
   Estava-o imaginando ou suas faces se suavizaram um pouquinho para ouvir a explicao?
   -Posso te convencer para que troque de opinio sobre o jantar?
   -No, obrigado. ia fazer me uma sopa quando bateu na porta.
   -Que classe de sopa?
   -De macarro.
   Jackson sorriu.
   -Meu favorita. Convida-me para jantar?
   - uma sopa de bote.
   -eu adoro nos sopas de bote. Tem po?
   
   Captulo Seis
   
   Olivia inventou todas as desculpas possveis para no ir ao rio Guadalupe com o Jackson e os meninos, mas no houve maneira. Sobre tudo porque Cherokee Pete se 
apontou  excurso. Chegou com o Buddy, um dos ajudantes do Jackson, em um micronibus na sexta-feira de noite.
   -Queria ver a casa de meu neto. Alm disso, no me perderia uma visita ao rio Guadalupe por nada do mundo.
   Inclusive convenceu a Tessa para que fora com eles.
   na sbado pela manh, os cinco adultos mais os cinco meninos, entravam no micronibus carregados com mochilas.
   A paisagem at o rio era precioso, com suas colinas cheias de cedros e carvalhos e o cu de um azul muito puro.
   Ela ia sentada ao lado do Jackson, que ia assinalando os pontos de interesse, mas Olivia no podia concentrar-se tendo-o to perto.
   Podia cheirar sua colnia e sentir o calor de seu corpo enquanto assinalava alguma paragem em particular. Inclusive podia contar suas pestanas e ver o brilho 
de humor em seus olhos escuros.
   Por fim, felizmente, Jenny e outros meninos comearam a jogar jogo das perguntas e Olivia se relaxou um pouco.
   Uma hora mais tarde chegavam ao rio. Buddy se encarregou de alugar uma lancha pneumtica e todos ficaram traje de banho, camisetas e sapatilhas para evitar cortes 
com as rochas. Inclusive Jackson trocou suas eternas botas jeamas por umas gastas sapatilhas de esporte.
   Olivia no o tinha passado melhor em toda sua vida. Desceram pela corrente do rio, rendo e gritando quando era mais forte e empapando-se uns aos outros quando 
era mais tranqila. Depois, pararam em um banco de areia e subiram pelo caminho para voltar a fazer a viagem.
   Cherokee Pete tinha oitenta anos, mas no parecia cansado absolutamente e, depois de comer, os meninos se reuniram a seu redor para lhe ouvir contar histrias 
do velho Oeste.
   Olivia se tornou sobre uma toalha para repousar o almoo e Jackson se tombou a seu lado, apoiando a cabea sobre uma de suas pernas. 
   -Est-o acontecendo bem? 
   -Sim -respondeu ela, fechando os olhos. 
   sentia-se completamente relaxada pela primeira vez em muito tempo. O rudo da gua, as risadas dos crios e o calor do sol eram como um blsamo. A companhia do 
Jackson e outros lhe dava uma sensao de segurana e bem-estar que quase tinha esquecido.
   
   Pouco a pouco foram deixando-os sozinhos. Os meninos decidiram ir explorar com o Buddy e Pete se afastou para o rio para dar um passeio. Tessa lhe fez uma piscada 
ao ver que Olivia estava dormida e tambm ela partiu.
   Jackson no queria despert-la. Tinha uma expresso to sossegada, to cheia de paz, que no o teria feito por nada do mundo. Tinha a cabea sobre seu regao, 
como uma menina. No se tinha dado conta de sua expresso de angstia at que a viu dormida. E, por ensima vez, perguntou-se o que era o que a afligia tanto.
   Comeava a ter por ela sentimentos profundos, muito mais que uma mera atrao fsica. Olivia se moveu ento, pondo uma mo sob sua cara e ainda por cima da braguilha 
do Jackson... ou onde estaria a braguilha se no levasse traje de banho. Seus sentimentos no eram quo nico comeavam a alterar-se.
   Jackson murmurou uma maldio, tentando concentrar-se em outra coisa, mas no podia faz-lo. E o assunto comeava a ficar... difcil.
   Apanhado entre o cu e o inferno, suportou a tortura. Suportou-a com... sua espada a emano para poder matar qualquer drago que tentasse despertar a seu Olivia.
   
   Ao dia seguinte, Cherokee Pete bateu na porta da Olivia enquanto ela estava concentrada em uma leitura para suas classes.
   -Entra, Pete. Acabo de fazer caf.
   -Muito obrigado -disse o homem-. Um apartamento muito bonito, sim senhor. Eu gosto dessa cadeira de balano. Recorda-me uma que tinha minha mulher.
   -Comprei-a em um mercadinho e tubo que arrum-la porque parecia p.
   Pete tocou o respaldo de madeira com suas enrugadas mos.
   -Bom trabalho. A minha mulher tambm gostava de fazer essas coisas.
   -Morreu faz muito tempo?
   Ele deixou escapar um suspiro.
   -Mais do que eu gostaria. Olhe, pensei que ao melhor no importava que um velho como eu te incomodasse esta tarde. Jackson est com a Comisso e no tem nem um 
s livro em casa que me interesse. Todos so sobre poltica e economia, um cilindro.
   -Se est procurando algo que ler, pode olhar em meu estantes. V onde v, eu sempre acabo colecionando livros.
   -Eu tambm -sorriu Pete-. Pensava ir a uma livraria, mas Buddy se levou a caminhonete e no me faz graa conduzir o esportivo do Jackson, especialmente porque 
no conheo bem a cidade.
   -Quer que te leve a uma livraria?
   -No, no -disse o homem, olhando as estantes-. Aqui tem dois ou trs livros que me interessam. Este  de mistrio, verdade?
   -Sim, so histrias de fantasmas escritas pelo M.R. James, um autor do sculo passado.
   Pete tirou tambm um livro do psiclogo Cari Jung.
   -Eu gosto da Psicologia. Faz tempo que no leio nada do Jung, mas poderia ser interessante.
   Olivia tentou esconder sua surpresa, mas deveu notar-se o na cara porque Pete soltou uma risinho.
   -Surpreende-te que um velho como eu leia livros de psicologia?
   -um pouco, a verdade.
   -A gente fica de pedra quando v minha biblioteca. Minha mulher era professora, sabe? Ela me ensinou a amar a literatura.
   -Me alegro muito. me passa igual.
   -Eu no tive uma educao acadmica, mas sei quo importante . Por isso insisti em que meus netos fossem  universidade. E todos foram bons estudantes. Bom... 
menos Jackson. Nunca gostou dos estudos, mas terminou a carreira -sorriu o homem-. Nunca eis podido entend-lo. De todos meus netos, Jackson  o mais preparado, 
inclusive mais que Smith, que  um gnio. No conhece o Smith, verdade? Tem uma empresa de informtica e vive no vale de So Fernando.
   -Est muito orgulhoso de seus netos, n? -sorriu Olivia.
   -Me nota muito, j sei. Tenho duas filhas estupendas, cinco netos geniais, dois bisnetos preciosos... e outro em caminho.
   -vamos tomar caf. Assim poder me falar de seus preciosos bisnetos.
   Pete sorriu.
   -Ah, por certo, tenho uma bandeja do Chile mexicano no forno. Est convidada para jantar e no aceito uma negativa.
   -Ento, suponho que terei que ir.
   - obvio. E j que estamos, quando vais dizer me se aceitar minha proposio?
   -Que proposio? -perguntou Olivia.
   Os olhos do homem brilharam, peraltas.
   -a de te casar com o Jackson.
   -Esquece-o, Pete. No me casaria outra vez nem sequer por ti. Leite e acar?
   
   Olivia no podia acreditar quo rpido passava o tempo. Possivelmente porque sua vida era to agradvel. Mas antes de que se desse conta tinha passado o ms de 
setembro e outubro estava a ponto de terminar.
   Um sbado abriu as janelas para ventilar o apartamento e quando ia fazer se um caf, algum arranhou a porta.
   Abriu, imaginando que era Jackson para convid-la a tomar o caf da manh, ao cinema, a comer... ou a qualquer outra coisa.
   Mas no era Jackson a no ser um cachorrinho dentro de uma caixa de carto, com um sobre na boca.
   -Ol, pequenino -sorriu, tomando a bolinha de cabelo marrom e branco em seus braos-. O que tem a?
   Olivia tentou lhe tirar o sobre, mas o cachorrinho sujeitava o papel com os dentes como se o fora a vida nisso.
   -Oua, ano -escutou ento a voz do Jackson-. Supe-se que deve lhe dar o sobre, no lhe comer isso Perdoa, tnhamo-lo praticado, mas  muito jovem. Quo nico 
aprendeu  a no fazer-se pis na casa.
   - um cachorrinho precioso. De que raa ? -Que raa? Nem idia. Creio que sua me era uma golden retriever e seu pai um tipo da rua. Tirei-o da canil porque 
Tami me convenceu. Todo mundo nesta rua ter um mascote dentro de nada. Quer um gatinho, uma cabra?
   -No, obrigado. No creio que a Tessa fizesse graa ter cabras no jardim.
   -Pois eu creio que a senhora Lpez tampouco est muito contente com o Rowdy.
   A senhora Lpez era o ama de chaves que Jackson tinha contratado nada mais instalar-se na casa.
   -por que no?  divino.
   -O pobre ainda no conhece as regras de urbanidade e entra na cozinha quando est esfregando o cho. Quer vir conosco ao parque?
   -ia tomar o caf da manh...
   -Tem a cafeteira posta?
   -No.
   -Pois vamos. Coloca ao Rowdy na caixa e vamos tomar o caf da manh. Logo quero provar meu cometa.
   -Seu cometa?
   -Sim.  muito bonita -sorriu Jackson.
   Com as botas, os jeans e o chapu texano parecia um profissional do rodeio, no algum que se dedica a jogar no parque.
   -No te creio.
   -Minhas primos e eu estvamos acostumados a passar os veres jogando com cometas. E a meu  de profissional, com mandos. Me deu de presente isso Matt por meu 
aniversrio.
   -Quando  seu aniversrio? 
   -Amanh. Venha, vamos ao parque. 
   Olivia duvidou um momento. Passavam muito tempo juntos. Quase todos os fins de semana e alguns dias de jornal nos que foram jantar ou ao cinema. Estava muito 
a gosto com ele, mas tinha decidido que aquele fim de semana o passaria sozinha, para variar.
   -Sinto muito, mas hoje pensava ir  livraria. 
   -Vamos um momento ao parque com o Roscoe, depois te convido a comer e logo te acompanho  livraria.
   -No se chamava Rowdy? 
   - que ainda no me decidi. 
   -Pode que esse seja o problema. O pobre cachorrinho est confuso.
   -Ah, uma crise de identidade, no? -sorriu Jackson.
   -Pois sim, preparado.
   -Venha, lista, vamos ao parque.
   como sempre, Olivia acabou rendendo-se. depois de tudo, pensou tentando justificar-se a si mesmo, ao dia seguinte era seu aniversrio. E ningum a fazia rir mais 
que Jackson Crow.
   E ningum a fazia, sentir to segura e to vulnervel ao mesmo tempo.
   No parque, antes de que Jackson pudesse lhe pr a correia, o cachorrinho saiu correndo detrs de uma pomba. Olivia e ele o chamaram, mas parecia ter vontades 
de explorar. Foram cada um por um lado para apanh-lo, mas Roscoe-Rowdy, acreditando que aquilo era um jogo, escapava entre suas pernas.
   Estiveram perseguindo-o durante um quarto de hora at que Jackson o pilhou por fim e se atirou ao cho, morto de risada.
   -Estou esgotado. Como est voc, Relmpago?
   O cachorrinho moveu a cauda.
   -Parece-me que j temos nome -riu Olivia-. O que te parece, Relmpago?
   O cachorrinho lanou um latido de aprovao.
   -Pois nada, Relmpago -sorriu Jackson, lhe pondo a correia-. Mas estou muito cansado para voar a cometa.
   -Disso nada! Eu quero ver como o faz.
   Tiraram a cometa do carro e Olivia ficou olhando enquanto a fazia voar. Lhe dava muito bem e desfrutou observando o movimento de seus braos...
   Quantas vezes tinha desejado ter esses braos ao redor de seu corpo... Embora se dizia a si mesmo que devia manter as distncias, tinha descoberto que as advertncias 
no valiam de nada. A realidade era que se sentia atrada pelo Jackson Crow. depois de tudo, era uma mulher adulta com desejos e necessidades. Possivelmente poderiam 
manter uma relao sentimental, pensou. Nada srio,  obvio. No pensava voltar a casar-se nunca.
   -Quer tent-lo? -perguntou-lhe Jackson ento.
   Ela ficou tinta. Mas ento se deu conta de que se referia a cometa.
   -Sim, claro. O que tenho que fazer?
   Olivia atou a correia de Relmpago a uma rvore e se colocou diante do Jackson, com as costas apoiada sobre seu peito. Em tndem, sujeitaram os fios da cometa 
vendo-a danar no cu. Esse era seu objetivo, mas parecia querer romper os fios e voar livremente.
   Por alguma razo, a ela lhe fez um n na garganta. Era sozinho uma cometa, mas sentia uma entristecedora e ridcula fraternidade com o artefato.
   E com o Jackson.
   Como se fossem uma s pessoa. Seus braos se moviam em perfeita sincronizao.
   Eram perfeitos juntos.
   Perfeitos...
   De repente tentou apartar-se, nervosa.
   -O que acontece? -perguntou ele.
   -Nada, me solte. No posso respirar -murmurou Olivia.
   -Espera um momento -disse Jackson, apartando os fios da cometa-. O que acontece?
   -Nada -murmurou ela, com uma mo no peito. Estava sofrendo um ataque de pnico, algo que no lhe tinha ocorrido em muito tempo
   -Carinho...
   Para dissimular, Olivia tossiu vrias vezes.
   -Perdoa.  que tenho alergia ao plen e, por um momento, fiquei-me sem respirao.
   -Quer que te leve a hospital?
   -No, no. Tenho pastilhas em casa.
   Isso era certo. Tinha anti-histamnicos para sua alergia.
   -Pois vamos a casa -disse Jackson ento, tomando-a do brao.
   -Espera, no  nada urgente. Baixa a cometa enquanto eu coloco a Relmpago no carro.
   Durante o caminho de volta a casa, teve que lhe dizer duas vezes que reduzira a velocidade. A preocupao do Jackson era evidente, mas no podia lhe contar a 
verdade. Sabia que ele no era como Thomas e seu pai e no se sentia ameaada, especialmente depois de hav-lo conhecido melhor durante aquelas semanas. Mas as emoes 
no tm crebro, no se regem pela lgica.
   Acreditava haver-se liberado de suas ansiedades, mas estava equivocada. A terapia tinha ajudado muito, mas solo o tempo cura certas feridas.
   Evidentemente, ainda no estava preparada para confiar no Jackson.
   De volta no apartamento, ele tomou o sobre que Relmpago no tinha querido lhe dar antes.
   -Me tinha esquecido te dizer que estamos convidados a uma recepo em casa do governador. dentro de trs semanas.
   -Com ocasio do que? -perguntou Olivia, entrando na cozinha.
   -Para conhecer presidente e  primeira dama.
   -Diz-o a srio?
   -Sim. Gosta de conhecer a flor e nata do estado?
   Olivia pensou dizer que no, mas rechaar um convite assim...
   -eu adoraria conhecer presidente -disse, tomando o bote de pastilhas-. Sabe uma coisa? Creio que j no necessito isto. Sinto-me muito melhor.
   -Se no tomar a pastilha, no vamos comprar livros.
   De modo que Olivia se tomou a maldita pastilha.
   Captulo Sete
   
   -eu adoro este stio -sorriu Olivia, respirando profundamente ao entrar na livraria-. Voc no gosta do aroma?
   -Sim, claro -sorriu Jackson-. Quer uma taa?
   -O que?
   -Que se quiser uma taa de caf.
   Olivia viu que, em uma esquina da enorme livraria, havia um bar.
   -No, referia-me ao aroma dos livros. As bibliotecas cheiram a tradio, a passado. As livrarias cheiram a livros novos. Mas eu adoro o aroma dos livros, velhos 
e novos.
   -Pois me parece que eu nunca lhe emprestei ateno a isso. Est procurando algo em especial?
   Ela negou com a cabea.
   -vou jogar uma olhada s novas publicaes e logo quero olhar os que esto rebaixados. Voc quer algo em particular? Nunca falamos que nossos autores favoritos. 
Quem  o teu?
   -Pois... tenho vrios. E voc?
   -Eu tambm tenho muitos. A lista  interminvel, em realidade. Para me divertir, leio histrias de fantasmas. E voc? Qual  seu tema favorito?
   -Eu gosto... os de mistrio. E os do oeste.
   -No me diga... Louis Murphy, verdade? Escreve as melhores cria novelas sobre o Oeste americano.
   -Sim, claro.
   -Parece-me que acaba de publicar uma nova. Quer que joguemos uma olhada? Por certo, dei-me conta de que em sua casa no h livros.
   -Sim, bom,  que como acabo de me mudar...
   -por que no nos encontramos dentro de meia hora no bar?
   -Muito bem. Como voc diga.
   
   Jackson esperou at que Olivia desapareceu detrs da estante de novas publicaes e saiu correndo para o mostrador de informao. por que demnios tinha ido a 
uma livraria com ela? Antes preferia caminhar descalo sobre brasas acesas. Estar rodeado de tanto livro o punha nervoso.
   De todas as mulheres que h no mundo, tinha que colar-se a uma amante dos livros. Que vida.
   -Oua, necessito ajuda,
   -Sim, senhor -disse-lhe o jovem que estava atrs do mostrador-. O que est procurando?
   -Baixe a voz -murmurou Jackson, procurando a Olivia com os olhos-. Necessito um monto de livros... e rpido.
   -Que classe de livros?
   -Todo os autores que escrevam sobre o Oeste americano. E tambm histrias de fantasmas.
   -Vitorianas ou eduardianas?
   -N? No sei, as duas coisas.
   -Quanto aos livros do oeste, quer fico ou ensaio?
   -As duas coisas.
   -Coberta dura ou de bolso?
   -Coberta dura -respondeu Jackson-. E lhe dou cinqenta dlares se me ajudar para busc-los todos em vinte minutos.
   -Vamos por um carrinho.
   O jovem saiu correndo para o outro lado da livraria como se lhe tivessem posto um petardo.
   -Aqui esto os do oeste?
   -No, estes so os melhores relatos de fantasmas. Temos ao M.R. James, Sheridan O Fanu, Michael Scott, Matthew Lewis... quer um de cada?
   -Sim.
   Depois se aproximaram de outra estante, enquanto Jackson olhava por cima do ombro.
   -Os do oeste... aqui temos ao Shane McMurtry -disse o jovem em voz baixa-.  um autor muito solicitado.
   -Vale, vale.
   -Mas so edies de bolso. Ou em cinta.
   -Como?
   -Em cinta, j sabe, para ouvi-los no carro.
   -Em cinta? V, v. Tem a esse McMurtry em cinta?
   -Sim. E ao Grisham tambm.
   -Quem  Grisham?
   -Um dos autores contemporneos mais lidos.
   -Vale. Pois tambm o quero. Quero tudo o que tenha em cinta.
   Pouco depois estiveram a ponto de chocar-se com a Olivia, mas Jackson empurrou ao jovem detrs de uma estante.
   E exatamente vinte minutos mais tarde se dirigia, com o carrinho cheio at os batentes, para a caixa registradora.
   -V, parece que gosta de muito ler -disse a cajera.
   -Se voc soubesse... -murmurou ele.
   depois de pagar, tomou as quatro bolsas cheias de cintas e livros e se dirigiu ao bar. Estava tomando a segunda taa de caf quando apareceu Olivia.
   -Perdoa,  que me foi o tempo voando. Sempre me passa nas livrarias. 
   -Quer uma taa de caf? 
   -Prefiro um capuchino. 
   -Muito bem, carinho.
   Quando Jackson voltou da barra, Olivia estava olhando dentro de suas bolsas. 
   -compraste tudo isto.
   -Sim. Voc mesma h dito que devia encher meu estantes.
   Olivia tirou um deles da bolsa.
   -E por que compraste um livro sobre a menopausa?
   Ao Jackson quase lhe caiu a taa de caf.
   -... para a senhora Lpez.
   -Ah, claro -murmurou ela, tirando outro livro-. Que maravilha! Este tem que me emprestar isso -Llvatelo si quieres.
   -leve-lhe isso se quiser.
   -No, no. Lhe pedirei emprestado isso quando terminar de l-lo. Tem lido toda a srie?
   Jackson tomou um sorvo de caf. Estava suando.
   -Um ou dois, mas faz tempo. Quer outro capuchino?
   -Mas se ainda no provei este... -murmurou Olivia, surpreendida-. Me diga, qual dos ttulos do Grafton  seu favorito?
   -No recordo o ttulo, mas  um autor que eu gosto de muito. Como te tenho dito, li-os faz tempo. Te ocorreu onde poderamos ir jantar esta noite?
   -No, mas sim amanh. Est convidado para jantar em minha casa. Inclusive te farei um bolo para celebrar a ocasio.
   -Que ocasio?
   -Seu aniversrio. A menos que tenha outros planos.
   -Nenhum -sorriu Jackson-. De verdade vais fazer me um bolo?
   -claro que sim. Qual voc gosta mais? -a de coco.
   
   Devia ter perdido a cabea. por que lhe tinha prometido ao Jackson lhe fazer um bolo de coco? Se logo que sabia cozinhar...
   E se notava.
   A primeira capa estava torcida para um lado e teve que sujeit-la com palitos. Em realidade, tinha uma pinta espantosa, mas possivelmente com um pouco de nata...
   No estava to mal. Quando comeou a jogar o coco comprovou que no ficava pego aos lados, mas se o tocava se abria por acima e ameaava caindo ao cho. Tentou-o 
tudo, inclusive esteve a ponto de usar o secador de cabelo. AJ final, jogou toda a bolsa de coco e converteu o bolo em uma espcie de iglu.
   Olivia deixou escapar um suspiro. Felizmente, o resto do jantar era bastante singelo: salada grega com queijo e um assado que estava no forno.
   A mesa estava posta, as velas acesas, o presente envolto sobre a poltrona. Solo tinha tempo para dar uma ducha rpida antes de que chegasse Jackson.
   
   Jackson tinha uma espantosa dor de cabea. Tinha tomado mais aspirinas do que  recomendvel, mas a enxaqueca no desaparecia.
   De noite tinha tentado ler o livro do Grafton e ficou surpreso ao saber que era uma mulher. Tentou-o e o tentou, mas no era capaz. Por fim, frustrado, rendeu-se 
e esteve at as tantas escutando a cinta. Felizmente, o menino da livraria lhe tinha falado das cintas. Sem elas estaria perdido.
   E, para mais remate, no domingo pela tarde era o dia que Tami lhe dava uma sesso maratoniana sobre os casos que deviam revisar na Comisso na segunda-feira. 
Tinha dois ajudantes no escritrio, mas repassava a maioria dos temas com ela.
   Ele odiava os livros. Odiava os peridicos, as revistas e at as instrues dos eletrodomsticos. Odiava algo que estivesse impressa. Odiava-o com a raiva de 
trinta anos de angstia e frustrao. Como podia aparentar diante da Olivia que tinha lido algum livro?
   Uma vez na ducha, Jackson abriu o grifo da gua fria para tentar aliviar a tpica dor de cabea dos domingos.
   por que estava submetendo-se a aquela tortura? Porque era um idiota.
   Ento recordou o rosto da Olivia. Seus olhos, seu precioso sorriso... Por isso o fazia. Faria algo por ela.
   E qualquer sacrifcio merecia a pena.
   Felizmente, tinha ao Tami. Stephanie tambm era uma grande ajuda. E Jennifer. Possivelmente poderia lhes pagar para que lhe lessem um par de tardes  semana. 
Isso o ajudaria muito.
   
   Quando estava sentado frente a Olivia, Jackson pensou que era o homem mais afortunado do mundo. Tinha-lhe preparado um jantar delicioso... embora com ela se teria 
comido um sanduche sentindo o homem mais feliz do mundo. E, alm disso, havia flores e velas na mesa.
   Olivia estava preciosa com uma cala de raso de cor vermelha que se pegava a suas curvas e que o estava voltando louco. Tanto que lhe custava trabalho comer. 
Solo queria olh-la, toc-la... lhe fazer o amor at o ms de abril. Aquela mulher era dinamite.
   -Est riqussimo.  uma surpresa que uma garota to bonita cozinhe to bem.
   Ela soltou uma risinho.
   -No cozinho nada bem. E ser melhor que te guarde os cumpridos at que veja o bolo.
   -De verdade me tem feito um bolo?
   -Bom, um pouco parecido.
   Olivia entrou na cozinha e voltou com uma espcie de bola branca sobre a que havia uma v-lita. Ento comeou a lhe cantar o "Aniversrio feliz" com uma voz rouca 
e suave parecida com a da Marilyn Monroe quando o cantou ao Presidente... e Jackson se voltou louco de tudo.
   -feliz aniversrio, senhor Comissionado... 
   Ento no pde controlar-se mais. Quando Olivia deixou o bolo sobre a mesa, sentou-a sobre seus joelhos e comeou a beij-la. Tinha sabor de ameixas e a fogo 
e, sem poder evit-lo, comeou a acariciar seus peitos atravs da blusa.
   -Deus, como te desejo... -disse com voz rouca.
   -Mas o bolo....
   -O bolo pode esperar. Deixa que te faa o amor, carinho.
   Ela tentou dizer algo, mas os beijos afogavam seus protestos.
   -Jackson, no -murmurou por fim, apartando-se-. No quero isto. No estou preparada.
   Tinha as bochechas vermelhas e respirava com dificuldade.
   -Carinho, no quero te chamar mentirosa, mas me parece que est to preparada como eu.
   -Sinto muito, mas este  um mau momento para mim.
   -Um mal... -Jackson se deu conta do que estava dizendo-. Ah, j entendo. No se preocupe, carinho. Que tal se provarmos o bolo?
   Olivia olhou sua criao.
   - horrvel, verdade?
   - o bolo de aniversrio mais bonita que vi em minha vida... porque a tem feito voc. vamos cortar a.
   -Tem que pedir um desejo e sopro a vela.
   -Muito bem -sorriu ele, dando um tremendo sopro.
   -Tome cuidado com os palitos -advertiu-lhe ela, enquanto cortava duas partes-. usei quase uma caixa inteira tentando sustent-la. Quer caf?
   -Sim, obrigado. Eu vou por ele...
   -Sente-se.  seu aniversrio -interrompeu-o Olivia-. Toma, seu presente.
   -Compraste-me um presente?
   -claro que sim. Espero que voc goste. Venha, abre-o enquanto vou pelo caf.
   Jackson rompeu o papel, entusiasmado.
   Um livro.
   Estava olhando a fotografia da capa, uma cometa, quando ela voltou da cozinha.
   - um livro sobre a histria das cometas. Voc gosta?
   Jackson tragou saliva.
   -eu adoro.
   -Me alegro de que voc goste. Que tal o bolo?
   Ele tomou uma parte com o garfo, tirou um par de palitos e o meteu na boca.
   -Riqussima.
   -Est seguro? -perguntou Olivia, ctica.
   - obvio.
   E para prov-lo, tomou duas partes e se levou o resto a casa.
   Em realidade, apesar de seu aspecto, o bolo estava riqussimo. Em sua cozinha, a meia-noite, Jackson pensou que aquele tinha sido um dos melhores aniversrios 
de sua vida. Solo uma coisa o teria feito inesquecvel: passar a noite com ela.
   Desejava-a com todas suas foras. Queria pr o mundo a seus ps, lhe dar tudo o que quisesse, lhe fazer o amor at fazer que gemesse de prazer pronunciando seu 
nome. Queria... Pacincia, disse-se a si mesmo.
   
   Olivia estava na cama, pensando. Na escurido, olhava as sombras que um raio de lua criava na parede.
   por que se tinha jogado atrs?
   Queria que o aniversrio do Jackson terminasse ali, em sua cama. Por isso se tinha arrumado tanto. Por isso tinha trocado os lenis e por isso escolheu sua roupa 
interior mais sedutora.
   O cenrio era perfeito, Jackson estava excitado... e ela tambm. E ento, no ltimo momento, voltou a ter medo. A ansiedade no era to severo como a que sentiu 
no parque quando estavam voando a cometa, mas estava de novo ali. Pensava que o tinha tudo claro, mas no era assim. por que?
   No tinha detectado um pingo de crueldade, nem de extrema possessividade no Jackson. Ele no era como Thomas... nem como seu pai. Absolutamente.
   Mas Thomas tambm foi maravilhoso durante seu noivado. Solo mais tarde descobriu que era um homem cruel e possessivo. Thomas era um mentiroso da pior ndole.
   Olivia odiava as mentiras e o engano com todo seu corao. E, entretanto, via-se obrigada a fazer algo que detestava.
   No tinha sido sincera com o Jackson.
   Mas, tinha-o sido Jackson com ela?
   Era algo sem importncia, mas por que lhe havia dito que gostava dos livros do Grafton? Nem sequer sabia que era uma mulher. E tambm o tinha pilhado em algum 
outro renuncio.
   Isso a punha nervosa. Assustava-a o engano.
   No, no poderiam manter uma relao at que confiasse nele por completo. E Olivia se dava conta de que com o Jackson seria impossvel ter uma simples aventura.
   Seu corao estava em jogo.
   Mas Jackson tinha mentido sobre o livro. por que?
   E sobre que mais estaria mentindo?
   
   Captulo Oito
   
   Olivia estava esfregando os pratos e viu outra das "ajudantes" do Jackson sair da casa. Pelo visto, tinha muito trabalho... fora do escritrio. Aquela era alta, 
ruiva, jovem. Muito jovem. Tinha ido a casa do Jackson duas vezes essa semana, na segunda-feira e na quarta-feira de noite.
   Embora lhe dava igual as loiras e ruivas que fossem a sua casa.
   No estava ciumenta.
   Mentira podre, claro.
   Sabia que Jackson tinha um posto de muita responsabilidade na Comisso e se tomava seu trabalho seriamente. De modo que estava trabalhando. Mas resultava curioso 
que nenhuma de seus ajudantes fosse baixa ou tivesse o cabelo cinza. Ou que fora um homem.
   Mas no era assunto dele. Jackson no era seu noivo nem nada parecido.
   Quando saiu da cozinha, viu sobre o escritrio o livro do Grafton que lhe tinha emprestado. Passaria por sua casa para devolver-lhe pensou. antes de que pudesse 
trocar de opinio, Olivia tomou o livro e baixou as escadas.
   Esteve um momento chamando o timbre, mas Jackson demorou para abrir. Quando por fim o fez, tinha o cabelo molhado e levava uma toalha atada  cintura.
   -Jennifer, h... -assim que viu que era Olivia, apoiou-se na parede, sorrindo-. Ah, que surpresa mais agradvel. Entra, entra.
   Olivia o olhou, mortificada.
   -S vim a te trazer o livro -disse, antes de sair correndo.
   Jackson a chamou vrias vezes, mas ela no se voltou.
   Que mais prova necessitava? Tinha sado a abrir a porta com uma toalha. Mas claro, Jackson Crow era um homem so e normal. O que tinha esperado, que no se deitasse 
com ningum?  obvio que no. E no tinha direito a esper-lo.
   Mas se era assim, por que lhe doa tanto?
   Tentando conter as lgrimas, Olivia subiu os degraus de dois em dois e entrou em seu apartamento.
   
   Murmurando maldies, Jackson ficou a cala e a camisa e saiu de sua casa dando uma portada. O que era o que tinha zangado tanto a Olivia? No tinha nem idia.
   Mas sim tinha uma horrvel dor de cabea e no podia pensar com claridade. Uma ducha fria estava acostumada ajud-lo, mas no tinha tido tempo.
   A teria ofendido saindo  porta s com uma toalha? No lhe via nada. E ela o tinha visto em traje de banho...
   -Olivia! -gritou, golpeando a porta-. Olivia!
   Ela abriu uns segundos depois.
   -No grite. vais despertar a toda a vizinhana.
   -D-me igual. por que saste correndo?
   -Porque... cheguei em um momento inoportuno.
   -por que? Porque estava na ducha?
   -Por isso Y...
   -Venha, diga-o.
   -Porque, evidentemente, Jennifer e voc...
   -Jennifer e eu o que?
   Olivia olhou ao cho.
   E ento Jackson entendeu.
   -Crie que Jennifer e eu...? No me posso acreditar isso. Est ciumenta.
   -Disso nada!
   -claro que sim! -riu ele-. Est ciumenta!
   Olivia lhe deu um murro no estmago.
   -No estou ciumenta. O que faa com o Jennifer ou quem  no  meu assunto.
   -Sim o , carinho. No estou interessado em me deitar com ningum, exceto contigo. Sou homem de uma s mulher. E para que saiba, Jennifer vive com um jogador 
profissional de futebol. Por certo, poderamos ir ver o jogar na sbado. E logo, a danar msica country.
   -Eu no sei danar country.
   -Porque nunca tiveste um bom casal. Eu sou um demnio na pista de baile -disse Jackson, tomando-a pela cintura para dar um par de voltas.
   Olivia soltou uma gargalhada.
   -Voc  um demnio em todas partes, Jackson Crow.
   -Certamente.
   -Que tal uma taa de caf?
   -Estupendo. Tem uma aspirina?
   -Sim. Di-te a cabea?
   O se passou uma mo pela frente.
   - que tenho muito trabalho.
   -Sente-se. Vou pela aspirina.
   No teve que dizer-lhe duas vezes. Tinha a cabea como um tambor grande.
   Devia notar-se o porque quando voltou da cozinha ela o olhou com o cenho franzido.
   -Di-te freqentemente a cabea?
   -Uma ou duas vezes por semana.
   -Talvez necessita culos.
   -No, tenho muito boa vista.  a tenso.
   Olivia se colocou detrs dele e comeou a lhe dar uma massagem.
   -Ah, que bem.
   -Estava acostumado a fazer-lhe a meu pai. Ele tambm tinha enxaquecas.
   -Nunca me falaste que sua famlia.
   -No.
   Jackson esperou que seguisse falando, mas no o fez.
   Os mgicos dedos femininos seguiam massageando seu couro cabeludo e fechou os olhos. Era como estar no cu. Seus msculos se relaxaram e a dor de cabea foi desaparecendo 
pouco a pouco.
   Ento a sentou sobre seus joelhos.
   -Carinho, vou ter que me casar contigo e te atar  pata da cama.
   Olivia se levantou de um salto, nervosa.
   -Nem o sonhe, Comissionado.
   Outra vez a tinha zangado. Quando ia aprender?, perguntou-se, zangado consigo mesmo. Por fim tinha conseguido que Irish lhe contasse algo sobre seu passado. Pelo 
visto, seu ex-marido e seu pai eram dois homens muito possessivos e, ao menor signo de represso, saa correndo.
   A pacincia era a chave. Pacincia para que ela marcasse o passo.
   Esse seu ex-marido devia ter sido um canalha. E algum deveria lhe dizer um par de coisas por ter arruinado a vida de seu Olivia.
   
   Olivia no tinha estado em um jogo de futebol em anos. Da universidade, certamente. E no sabia o que ficar, de modo que escolheu uns jeans e um discreto pulver 
azul. Esperava levar a roupa adequada.
   Mas no deveria haver-se preocupado. sentou-se com o Jackson e seus amiges no degrau preferivelmente, a que estava reservada para os que contribuam economicamente 
com a equipe, e todos foram com jeans e camisa. Embora Jackson era o mais bonito.
   Durante a partida tomaram cerveja e comeram perritos quentes, como manda a tradio, enquanto animavam  equipe do noivo do Jennifer, que ganhou por sete pontos.
   -Voc estudou na Universidade do Texas? -perguntou-lhe Olivia.    
   -S o primeiro ano. Mas fiz muitos amigos.  a universidade mais divertida do pas. Alm disso, fao doaes para que me dem bons assentos nas partidas.
   -Jackson, isso  horrvel.
   - a verdade. Quer que minta?
   Ela negou com a cabea, sorrindo.
   -No, claro que no.
   Assim era Jackson. No se andava com rodeios. Era uma das coisas que mais gostava dele.
   Foram para jantar a seu restaurante favorito, um mexicano no centro da cidade, embora Olivia logo que podia provar bocado depois dos perritos quentes. Estavam 
em novembro, mas ainda fazia bom tempo para sentar-se em uma terrao.
   depois de jantar foram a um edifcio que parecia um estbulo e de que saa msica country.
   O stio estava abarrotado e havia muitos casais danando.
   Jackson lhe deu um bilhete ao garom, que os levou a uma mesa perto da pista. Entre a msica e os pises dos bailarinos, aquele stio vibrava de alegria.
   -vamos danar -disse Jackson.
   Ela o seguiu como pde ao redor da pista. No tinha nem idia do que estava fazendo, possivelmente Jackson a levava em volandas.
   -Carinho, te d muito bem.
   Danaram durante meia hora at que a orquestra tomou um descanso. Suando pelo exerccio, Olivia se abanic com a mo e depois se deixou cair sobre a cadeira.
   -No sei se meu corao agentar este ritmo. Estou exausta.
   -Pensei que no sabia danar country.
   -E no sei, mas no  to difcil. Sobre tudo se tiver feito doze anos de bal. Alm disso, voc dana muito bem.
   -Obrigado, senhorita. Onde estudou bal?
   -Em Califrnia. Coisas de minha me. E quando morreu, meu pai insistiu em que seguisse tomando classes. Segundo ele, assim aprendia disciplina.
   -Ah, sim?
   -Em realidade, as classes me mantinham ocupada e assim no lhe dava guerra.
   Jackson tomou um gole de cerveja.
   -Quantos anos tinha quando morreu sua me?
   -Dez. Minha me... tomou um frasco de pastilhas. Encontrei-a na cama ao voltar do colgio.
   -Cu... -murmurou ele, tomando sua mo-. No sabe como o sinto.
   -Foi faz muito tempo. E no quero falar disso esta noite. Estou-o passando muito bem. Quer que joguemos bilhar?
   -Sabe jogar bilhar?
   -O que tem de estranho? Seguro que ganho.
   -A mim? No lhe crie isso nem voc. Tenho uma licenciatura em bilhar.
   -Acreditei que era em pquer.
   -Tambm. Voc arrumado cinco dlares.
   -Dez -sorriu Olivia.
   -Vale.
   Deixou-o descascado na primeira ronda. Jackson a olhava apoiado na mesa, incrdulo.
   -O que , uma profissional?
   -J te disse que sabia jogar. Ensinou-me meu irmo Jason. Quando meu pai o castigava sem sair subia ao segundo piso, onde tnhamos uma mesa de bilhar. E como 
me dava pena, eu jogava com ele.
   -No sabia que tivesse um irmo.
   -Pois sim.
   -No lhes vem freqentemente?
   Olivia negou com a cabea.
   -Nem sequer sei onde vive. Jason se foi casa aos dezoito anos. Olhe, esto tocando outra vez. Quer danar?
   -Sim, claro.
   depois de alguns endemoninhados bailes, a orquestra comeou a tocar canes lentas e Jackson a envolveu em seus braos, pondo as duas mos em sua cintura.
   depois de um par de voltas, a Olivia pareceu boa idia colocar as mos nos bolsos de sua cala. Nunca se tinha dado conta de quo ertico era o traseiro de um 
homem. Bom... no o de todos os homens. o do Jackson.
   Seu traseiro a voltava louca.
   Escuro, sexy... Quando ele a apertou um pouquinho mais, deu-se conta de que estava muito excitado e tentou apartar-se.
   -Est...
   -Duro como uma pedra -terminou Jackson a frase-. Sim, senhora. Mas sobreviverei. O homem que fez os jeans estreitos era um tipo preparado.
   
   Era mais de meia-noite quando decidiram voltar para casa. O baile seguia totalmente animado, mas Olivia parecia p.
   Jackson lhe aconteceu um brao pela cintura enquanto se dirigiam  caminhonete.
   -Aconteceste-o bem?
   -De maravilha -respondeu ela, apoiando a cabea em seu ombro-. Mas faz frio.
   -Sim, parece que se aproxima o inverno.
   Nesse momento, um relmpago iluminou o cu e, uns segundos depois, um trovo retumbava sobre as colinas.
   Em seguida comeou a chover e lhe ps seu chapu.
   -Corre antes de que nos impregnemos.
   Mas no o conseguiram. antes de chegar  caminhonete estava chovendo muito, como solo pode chover no Texas. Jackson tentou que no se molhasse mas foi impossvel, 
assim entraram na caminhonete empapados e mortos de risada.
   -Como faz to frio de repente?
   -Isto  Texas -sorriu Jackson, acendendo a calefao.
   Nunca lhe tinha gostado tanto um homem, pensou Olivia ento. Nunca a tinha excitado tanto. Tivesse querido lhe arrancar a camisa e lamber as gotas de chuva. Tivesse 
desejado sentir aquelas mos grandes sobre sua pele nua...
   Quando ele a olhou, deu-se conta de que estava pensando o mesmo. Jackson alargou a mo para acariciar sua coxa e o roce foi como uma descarga eltrica. Solo o 
cinto de segurana evitou que fizesse uma tolice. A tenso sexual que havia entre eles poderia cortar-se com uma faca.
   Jackson apartou a mo e voltou a p-la sobre o volante.
   -Tenho que olhar a estrada. No quero que nos demos um golpe.
   -No, claro.
   Era essa sua voz? To rouca?
   Conseguiram chegar a casa sem problemas e Jackson apertou o boto de abertura da garagem. Quando Olivia ia protestar, ele fez um gesto com a mo.
   -Se vamos correndo a sua casa, impregnaremo-nos outra vez. Alm disso, minha cama  maior -disse, sorrindo-. E vamos necessitar muito espao.
   
   Captulo Nove
   
   -Entra. Est imerso.
   -Voc tambm -disse Olivia.
   -Sim, mas eu sou duro.
   -Eu tambm -sorriu ela, lhe dando um golpe no brao.
   Jackson lhe deu um beijo no nariz.
   -No, voc  como uma colherada de acar e no quero que te derreta.
   Relmpago, que estava na cozinha, ficou a dar saltos ao v-los.
   -Ol, pequeajo -sorriu ele, inclinando-se para acarici-lo-. Voc fique aqui e cuida da casa. Eu vou encarregar me desta senhorita.
   Como se tivesse entendido a ordem, Relmpago lanou um latido. Jackson voltava louco a todo mundo... humanos e animais.
   -Que rico .
   -vou acender a chamin. Voc v o asseio e te tire essa roupa molhada. H um penhoar no armrio.
   -Onde est?
   -A terceira porta  direita.
   O asseio, pintado de verde e com o cho de terracota, seguia cheirando a novo.
   Enquanto se tirava o pulver frente ao espelho, Olivia sorriu ao ver que seguia levando o chapu do Jackson. depois de despir-se, pendurou a roupa no toallero 
e se envolveu em um enorme e quente penhoar branco. Logo procurou um secador de cabelo e uma escova. E os encontrou. Uma decoradora muito inteligente. Tinha que 
tudo para as visitas. Inclusive encontrou uma caixa de preservativos na gaveta.
   Olivia a abriu e guardou um no bolso do penhoar, sorrindo.
   depois de secar o cabelo, comprovou que no lhe tinha deslocado o rmel. Estava bonita. E o roce do algodo em seus mamilos, disse-lhe que se sentia definitivamente 
sensual. E o brilho de seus olhos, que estava preparada para o Jackson Crow.
   Aquela seria a noite.
   Sentindo-se travessa, guardou dois preservativos mais no bolso e sorriu enquanto tomava o chapu para sair do asseio.
   Descala, voltou para salo. Jackson estava inclinado sobre a chamin, jogando troncos. Tambm ele ia descalo.
   E nu de cintura para acima.
   Olivia ficou sem flego. Estava despenteado e levava sozinho os jeans e uma toalha sobre os ombros.
   Jackson deveu sentir sua presena porque se voltou, sorrindo.
   -Vem te esquentar um pouco. pus a cafeteira... ou prefere uma taa de vinho?
   -O primeiro caf. Vejo que sabe como acender um fogo.
   -Naturalmente. Fui boy scout.
   -Seguro que estava muito bonito com sua uniforme -sorriu Olivia.
   -Muito bonito.
   -Toma seu chapu.
   -Fica melhor a ti -sorriu ele, estreitando-a em seus braos.
   Seus lbios seguiam frios, mas sua lngua estava quente. Muito. 
   E com vontades de farra.
   Jackson seguiu beijando-a na garganta, apartando o penhoar com a boca. Olivia enredou os braos ao redor de seu pescoo e lanou um gemido quando ele comeou 
a acariciar seus peitos atravs do tecido.
   -OH, carinho...
   Desejava-o. Desejava-o com tal fora que logo que podia suportar a espera. Tinha-o desejado durante muito tempo. Apertando-se contra ele, Olivia enredou as mos 
em seu cabelo, ofegando, com o corao acelerado.
   -Jackson, quero... quero...
   -O que quer, cu?
   -Quero a ti.
   -J me tem.
   Ele voltou a beij-la, abrindo o penhoar para tocar seus peitos como um homem faminto. E quando baixou a mo para acarici-la entre as pernas, lhe dobraram os 
joelhos.
   -Jackson...
   -O que, carinho?
   -Quero... quero...
   -me diga o que quer, cu.
   Estava lhe fazendo coisas maravilhosas com os dedos e Olivia logo que podia encontrar palavras.
   -Quero-te dentro de mim. Agora.
   Jackson a tombou no sof e se ajoelhou frente a ela, devorando-a com os olhos.
   -Em um minuto, carinho. Agora quero te olhar... e te tocar -murmurou, colocando a lngua em seu umbigo-. Quero estar seguro de que est preparada.
   Ia deslizando a mo por suas coxas, seu estmago, seus peitos... para baixar depois e acariciar lugares mais ntimos.
   -Jackson, estou preparada.
   -Creio que sim -riu ele-. Em seguida volto.
   -Onde vai?
   -A procurar um preservativo.
   Olivia colocou a mo no bolso do penhoar.
   -Toma.
   Ele levantou uma sobrancelha, sorrindo.
   -vieste preparada?
   -J te tenho dito que sim.
   -Comeava a pensar que no ia ocorrer nunca -murmurou Jackson, tirando-os jeans-. sonhei muitas vezes com isto.
   Seguiu acariciando-a enquanto se colocava entre suas pernas, ficando o preservativo sem que Olivia se desse conta. Ela conteve o flego ao sentir a investida 
do homem.
   Ambos saborearam o momento da unio, parando um segundo para respirar. Ento comearam a mover-se ao unssono, em um baile sensual que os embriagava aos dois.
   Jackson a acariciava enquanto se movia, sussurrando palavras de admirao por sua beleza enquanto empurrava cada vez com mais fora. Olivia se movia com ele e 
o prazer se incrementava com cada investida.
   voltaram-se loucos, atacada-las frenticas, at que ambos caram do sof.
   Mais rpido, mais forte...
   O espasmo a partiu pela metade e se arqueou para ele, sem flego. Jackson chegou ao orgasmo imediatamente depois.
   Olivia podia sentir a trmula palpitao de seu desafogo dentro dela.
   Suando, com o cabelo sobre a cara, parecia um guerreiro primitivo. Forte, musculoso, viril, soberbiamente formoso.
   Como o amava.
   Amar?
   No, disse-se a si mesmo. Gostava de fazer o amor com ele. Era um amante experiente e a fazia sentir como se fora a mulher mais desejvel do mundo.
   Olivia enredou os braos ao redor de seu pescoo, emitindo suspiros de prazer.
   -Est ronronando, carinho.
   Ela riu brandamente.
   -Tem razo. foi precioso.
   -A noite  jovem. Quer um caf? Veio, queijo? Meu corao em uma bandeja? 
   -Est louco. 
   -Sim, senhora. Louco por ti.
   
   A tormenta seguiu sacudindo o cu durante toda a noite e sua tempestuosa unio, os alicerces da casa. Seguiram fazendo-o na enorme cama do Jackson, insaciveis. 
Eram os troves os que a faziam sentir-se to selvagem? Nunca um homem tinha despertado to turbulentos sentimentos nela. Nunca um homem a tinha satisfeito como 
Jackson Crow.
   Olivia dormiu segura e contente entre seus braos e despertou pouco antes de amanhecer. A tormenta tinha cessado e entrou no asseio para recuperar sua roupa. 
Seguia molhada e decidiu coloc-la na secadora. Melhor isso que cruzar a rua vestida sozinho com um penhoar. Assim que abriu a porta da cozinha, Relmpago a recebeu 
ladrando e dando saltos.
   -Cala, pequeajo. No quero despertar ao Jackson, teve uma noite muito dura.
   Mas a Relmpago no gostava de estar calado e seguiu ladrando at que, depois de colocar a roupa na secadora, Olivia tomou em braos.
   -Bichejo.
   O cachorrinho lambeu seu nariz, contente.
   -Oua, guri -escutou ento a voz do Jackson-. Est tentando me roubar a noiva?
   Ela se deu a volta.
   -Despertamo-lhe?
   -No.  que sentia falta do som de sua respirao. O que faz acordada a estas horas?
   -Secando minha roupa. No queria voltar para casa com o penhoar.
   -Volta para a cama. vamos dormir um momento mais.
   -Se voltar para a cama, no dormiremos absolutamente.
   Jackson soltou uma gargalhada.
   -Temo-me que no h perigo. Pareo p. Venha -disse, tomando sua mo.
   Olivia o seguiu  cama. O tinha mentido,  obvio. No estava cansado.
   
   Era meia amanh quando voltou a despertar. Sozinha.
   Quando se incorporava, Jackson apareceu a cabea na habitao.
   -bom dia, carinho. Como voc gosta dos ovos?
   -Fritos.
   -Valem revoltos?
   -De acordo.
   -Em seguida volto.
   Cinco minutos mais tarde, voltava com uma bandeja na mo.
   -O caf da manh na cama?
   - obvio. Beicon, ovos, torradas, caf e gelia caseira.  de uma empresa de meu av -disse Jackson, pondo uma torrada em sua boca.
   -Que rica. Onde est seu caf da manh?
   -J tomei o caf da manh. Duas vezes.
   -Gesso?
   -Fiz o caf da manh faz uma hora, mas como estava to dormida... Quer algo mais?
   Olivia negou com a cabea.
   -Obrigado. Ningum me trouxe nunca o caf da manh  cama.
   -Nem sequer quando estava m?
   -No. Obrigado, Jackson. De verdade.
   -De nada -sorriu ele, beijando-a na frente-. Quer que vejamos as notcias? -perguntou, tomando o mando da televiso.
   -Vale. Tem lido o peridico?
   -No compro o peridico.
   -Srio? Eu no posso comear o dia sem ler o peridico,  um costume. Sobre tudo, os domingos. Compro o Statesman e o New York Teme.
   -Nunca me gostaram dos peridicos. Prefiro as notcias em televiso. Quer que lhe v comprar isso -Tengo la CNN...
   -No, deixa-o. Mas no posso acreditar que no as o peridico, especialmente se te dedica  poltica -riu ela-. Como pode estar informado? Em televiso apenas 
se fala do resto do mundo.
   -Tenho a CNN...
   Olivia levantou os olhos ao cu.
   -Jackson, isso  absurdo. A televiso no informa em profundidade. Solo os peridicos do as notcias com detalhe.
   -Tambm escuto a rdio -protestou ele, com cara de menino ao que pilharam com as mos na caixa de bolachas.
   -Venha j.
   Ele apartou o lenol e lhe ps um pouco de gelia em um mamilo.
   -Tenho-te dito quanto eu gosto de seus peitos? -murmurou, lambendo a gelia.
   -Vrias vezes. Cuidado, o caf... -Jackson deixou a bandeja no cho-. E o que passa com meu caf da manh?
   -Voltarei a lhe fazer isso mais tarde -disse ele, apartando o lenol.
   
   Mais tarde, Jackson se perguntou por que no o tinha contado. Era uma oportunidade perfeita para lhe dizer a verdade. por que no lhe havia dito que no podia 
suportar a leitura, os livros, os peridicos...?
   por que no lhe havia dito que era um ignorante? sentia-se como um canalha por no lhe dizer a verdade. Queria que entre eles tudo fora difano. Mas tambm desejava 
seu respeito. E se soubesse, como poderia respeit-lo?
   Entravam-lhe suores frios ao pensar que Olivia conhecesse seu segredo. Ela era to inteligente, to preparada... Uma mulher com uma extraordinria formao. E 
no podia suportar a idia de que o desprezasse.
   Mas cedo ou tarde se inteiraria.
   Possivelmente no. Possivelmente poderia seguir fingindo. depois de tudo, era um perito. Tinha enganado inclusive a seus professores da universidade.
   Nem sequer sua famlia suspeitava que logo que sabia ler.
   
   
   Captulo Dez
   
   Olivia estava cantarolando enquanto terminava de fazer um bolo de coco. No podia acreditar que quase se sentisse como um dona-de-casa. depois do desastroso bolo 
de aniversrio, tinha jurado no voltar a tocar o forno. Mas depois de uma semana de relaes com o Jackson estava de novo lhe fazendo um bolo. Devia lhe gostar 
de muito o menino.
   Sorrindo, deu um passo atrs e olhou o resultado com expresso satisfeita.
   A verdade era que tinha muito boa pinta.
   Com o bolo em uma bandeja, baixou ao jardim. Aquela noite foram jantar com o Ed e Tessa. Jackson levaria as cervejas, ela a sobremesa.
   Ed, um homem alto de cabelo grisalho, recebeu-a com um sorriso.
   -Que aroma de chuletas... Me est fazendo a boca gua.
   -Cheiram fenomenal, sim. J parecem?
   -Falta uma meia hora.
   -Bonito bolo -sorriu Tessa.
   Olivia sorriu, contente com o completo.
   -Comeo a ter prtica.
   -Onde est Jackson com as cervejas? -perguntou Ed.
   Ela se encolheu de ombros. Quando olhou ao outro lado da rua, viu que no estava o carro do Tami. De fato, cada domingo saa de sua casa um pouco antes.
   E era estranho que Jackson no tivesse chegado ainda. Sempre era pontual.                        ,
   -vou ver o que lhe passa.
   Chamou o timbre e depois de esperar um momento sem receber resposta, decidiu entrar.
   -Jackson?
   Nada.
   No estava na cozinha nem no salo. Quando olhou na garagem tanto a caminhonete como o Jaguar estavam estacionados, de modo que no tinha sado de casa. Ento 
ouviu um estrondo no despacho.
   -Jackson! -gritou, abrindo a porta. O despacho estava logo que iluminado por uma lamparita.
   -Maldita seja! -ouviu-o gritar, enquanto atirava um monto de papis contra a parede. -O que ocorre?
   Ele se voltou, com uma expresso absolutamente desolada no rosto.
   -No posso, Olivia. Sou uma calamidade. Voc te merece algum melhor que eu.
   Ento se deixou cair sobre a cadeira, com as mos na cara.
   Alarmada, ela se aproximou. Nunca o tinha visto assim. Estaria bbado? Aquela reao violenta despertava uma corrente de lembranas terrveis.
   Sua primeira reao foi ir consolar o, mas duvidou. Duvidou ao recordar as incontveis vezes que teve que suportar a violncia do Thomas. Tinha suportado a um 
maltratador e no estava disposta a faz-lo de novo.
   Era Jackson esse tipo de homem? No, pensou. No podia ser. Jackson no. No podia acreditar que estivesse repetindo o mesmo engano, repetindo o mesmo patro 
de comportamento. As mulheres o fazem muitas vezes, escolhendo casais com os mesmos defeitos, s vezes casais como seus pais.
   Mas no podia acredit-lo. Jackson no era assim. E tampouco ela era a mesma mulher. Tinha aprendido muito de seus enganos. Ou no?
   Por fim, Olivia se aproximou e o envolveu em seus braos.
   -Jackson, o que ocorre?
   Os segundos lhe pareceram horas.
   Por fim ele levantou a cara, com expresso de angstia.
   -Sou um ignorante. E um mentiroso, Olivia.
   -Do que est falando? No te entendo. por que est to zangado?
   -Tudo  um desastre -murmurou ele-. O menino do Tami se h posto doente e Jennifer tampouco pode vir. Ningum est em casa um domingo pela tarde e eu necessito 
ajuda. Tenho que revisar estes casos para amanh e no posso faz-lo. Levo horas sentado aqui, tentando ler... e sabe at onde cheguei? Duas pginas, Olivia. Solo 
eis podido ler duas pginas -exclamou, passando uma mo pelo cabelo-. Sou um completo tolo. 
   -Di-te a cabea?
   - como se algum estivesse me golpeando com um martelo.
   -Sinto muito. Onde tem as aspirinas?
   -J tomei um monto. No servem de nada.
   -Ento, uma de minhas massagens te deixar como novo -sorriu ela, tocando sua frente. Mas Jackson a sentou sobre seus joelhos.
   -Carinho, custa-me um mundo admitir isto, mas tenho que faz-lo. Tenho que te dizer a verdade.
   Olivia comeou a sentir medo. O que ia dizer lhe? Estaria casado? Teria alguma enfermidade? Alguma perverso sexual?
   - algo horrvel? -perguntou, tremente.
   -Sim, -o.
   Tivesse querido tamp-los ouvidos, mas no podia faz-lo. 
   -diga-me isso -Qu tontera. Lo que pasa es que te duele mucho la cabeza...
   -No sei ler.
   Ela soltou uma gargalhada.
   -Que tolice. O que passa  que te di muito a cabea...
   -me escute, carinho. No sei ler. Nunca eis sabido ler. Leo como um menino de dez anos. 
   Olivia o olhou, sem entender. 
   -Est tentando dizer que  analfabeto? 
   -Mais ou menos.
   -Isso  ridculo. Tem uma licenciatura universitria. Como vais ser analfabeto?
   -Sou um homem de recursos -suspirou Jackson-. Fui a quatro universidades diferentes e, por fim, graduei-me em uma muito caro... dessas nas que lhe aprovam se 
financiar a construo de algum edifcio.
   -No que te graduou? 
   -Em Arte Dramtica. 
   -Em Arte Dramtica?  ator? 
   -Bom, sempre fui o palhao da classe. A maioria das obras clssicas est em disco e assim me aprendia os textos.
   -Para esconder o fato de que no sabe ler. 
   Ele se encolheu de ombros. 
   -No tive mais remdio. 
   -Seus pais sabiam?
   -No. Mas se sentiam envergonhados de mim porque sou o mais parvo da famlia.
   -Jackson, conheo-te h algum tempo e te posso assegurar que no  tolo. De fato, Pete me contou que foi o mais inteligente de seus netos. 
   -Eu?
   -Sim, voc. Nenhum de seus professores se deu conta de que no sabia ler?
   -No. E quando comeavam a suspeitar, trocava-me de colgio ou de universidade. O que fiz foi desenvolver uma memria de elefante. Os meninos de classe me liam 
as lies e eu as memorizava. Como te tenho dito, sou uma pessoa com muitos recursos.
   - uma forma de compensar -murmurou Olivia, abraando-o.
   -Mas esta vez no posso fazer nada. Ter que ler muitos papis para a Comisso e no posso faz-lo.
   -Para isso tinha contratado ao Tami e as outras garotas?
   -Sim. Elas acreditam que tenho um problema na vista. J sabe, sempre tenho alguma desculpa para esconder minha ignorncia.
   -Tem-te feito alguma vez uma reviso da vista?
   Jackson assentiu.
   -Vejo perfeitamente. contratei tutores para que me ensinassem a ler, mas no funcionou. No sou capaz de faz-lo, Olivia. Deus,  to humilhante te contar isto!
   -No seja menino. Eu sou psicloga e suspeito que tem alguma dificuldade de aprendizagem, algum tipo de dislexia. Mas no saberemos at que te faa umas provas.
   -O que  a dislexia?
   - um trmino que cobre muitos problemas de aprendizagem. Em realidade, uma disfuno cerebral.
   -Estupendo. Agora sou um imbecil com o crebro feito pur -suspirou Jackson-. Quase prefiro ser um ignorante.
   Olivia teve que conter um sorriso.
   -No  um ignorante. H muita gente com esse problema... quer acreditar que Albert Einstein era dislxico? H muitas classes de dislexia -disse ento, levantando-se-. 
Espera, vou acender a luz.
   -No, obrigado. Prefiro que haja pouca luz.
   Ela ficou pensativa.
   Pouca luz, dores de cabea...
   -Por isso revista levar culos de sol?
   -Suponho que sim. Mas todo mundo as leva. No Texas o sol  muito forte.
   -Pode que isso seja uma pista. Terei que falar com a Joanna Armbruster.
   -Quem ?
   -Uma amiga da universidade.  a catedrtica de psicologia aplicada ao ensino. Fez uma tese sobre as dificuldades de certas pessoas para aprender a ler, precisamente. 
Pedirei-lhe uma entrevista para te fazer provas.
   Jackson parecia incmodo.
   -No sei...
   -No se preocupe, no te doer nada. E falando de dor, que tal a cabea?
   -Melhor. J quase no me di. Suponho que a confisso  boa para a alma. Mas sigo me sentindo como um imbecil.
   -por que? J te tenho dito que  um problema relativamente comum. Eu pensei que tinha uma enfermidade venrea ou algo assim.
   -No. Estou so -sorriu ele.
   -Me alegro. Venha, vamos jantar e depois te lerei tudo o que faa falta.
   -De acordo. Agora mesmo poderia me comer uma dzia de chuletas.
   -Vamos pelas cervejas.
   depois de tirar as da geladeira, Jackson a envolveu em seus braos.
   -Tenho-te dito alguma vez quo especial ? No deixa de me assombrar. suei sangue para te contar isto e voc... nem sequer pestanejaste.
   -por que ia fazer o? No se preocupe, j ver como no  to grave.
   O sorriu, com uma expresso de infinita ternura.
   - maravilhosa.
   -Venha, vamos. Fiz um bolo de coco.
   -Srio?
   -Srio. E me saiu estupenda. Onde est Relmpago?
   -Creio que est no jardim, comendo-se meu Pelotas de golfe.
   -Est-o malcriando.
   -No posso evit-lo.  um canalha, mas estou apaixonado por ele... -Olivia lhe deu um aoite no traseiro-. Senhorita Olivia, que liberdades!
   - que tem um traseiro muito tentador. Jackson ficou srio ento.
   -Carinho, se no te importa preferiria que no lhe contasse... meu problema aos Jurney.
   -Meus lbios esto selados. Solo o contarei a Joanna.
   
   na tera-feira pela tarde Jackson perambulava pelo corredor, nervoso, esperando que terminasse a classe da Olivia. Apertava-lhe a gravata e tinha suores frios. 
Possivelmente tinha pilhado a gripe.
   Por fim, a porta do sala-de-aula se abriu e um monto de estudantes saiu em disparada. estava-se fazendo velho ou esses meninos eram muito jovens para estar na 
universidade? E no podia acreditar a pinta que levavam a classe.
   Olivia estava sentada frente a seu escritrio, falando com um par deles. Quando Jackson se aproximou, uma garota lhe deu uma cotovelada a outra e as duas soltaram 
uma risinho.
   Sim, devia estar fazendo-se velho.
   -Est para te comer -disse-lhe Olivia quando ficaram sozinhos.
   -Como?
   -Bridget e Emily dizem isso de ti.
   -Para me comer, n?
   -Que no te suba  cabea, Comissionado. Poderia ser seu pai.
   -No me recorde isso. A entrevista com a Joanna Armbruster segue em p?
   Olivia olhou seu relgio.
   -Agora deve estar no laboratrio. Nervoso?
   -No. Sempre me corto as unhas com os dentes.
   -Venha. vamos ver a. E, por certo, hoje est muito bonito.
   Jackson passou a mo pela jaqueta cinza.
   -Venho do escritrio. vais ficar te comigo durante as provas?
   -Quer que fique?
   -No sei. No sei se quiser que me veja me humilhando mesmo.
   -por que no lhe perguntamos  perita?
   Joanna Armbruster era uma mulher baixa de cabelo encaracolado que dava a mo como um campeo de boxe.
   -Pode ficar Olivia durante as provas? -perguntou-lhe Jackson.
   -No, ser melhor que volte dentro de uma hora.
   -por que no vai a casa? -sugeriu ele ento-. Logo passarei por ali.
   -Seguro?
   -Seguro. E muito obrigado.
   -Tire-a jaqueta -sorriu Joanna quando ficaram sozinhos-. Asseguro-lhe que isto no vai doer lhe. Est nervoso?
   -um pouco.
   depois de lhe fazer um par de perguntas, pediu-lhe que lesse um monto de papis. E a dor de cabea apareceu imediatamente.
   depois de muitas mais pergunta e provas, a mulher tirou uma pasta com vrios plsticos de cores.
   -Creio que Olivia tem razo. Pode que tenha sensibilidade escotpica.
   -O que  isso?
   -Enxaqueca oftlmica. isto leoa, por favor -disse Joanna, lhe oferecendo um texto sobre o que colocou um plstico amarelo.
   Jackson tentou faz-lo, mas as letras danavam ante seus olhos.
   -No.
   -Muito bem. Tente l-lo agora -sugeriu ela ento, colocando um plstico de cor rosa.
   Nada. Tampouco podia.
   depois de tentar varia combinaes, a catedrtica colocou um plstico de cor malva sobre uma de cor turquesa.
   -Tente-o de novo.
   Jackson tomou o papel Y... levantou o olhar, atnito.
   -As letras no se movem. Posso as ler.
   -Colocar estas transparncias de cores sobre os textos que deva ler o ajudar muitssimo. Mas tambm deve ir ao oculista. Necessita uns culos especiais para 
pessoas com seu problema.
   -Senhora Armbruster, no posso lhe dizer o que isto significa para mim -disse Jackson, com um n na garganta-.  um milagre.
   Ela sorriu.
   -A diferena  to espetacular que s vezes pode parec-lo.
   -Necessita ajuda no laboratrio? Refiro a subvenes, becas ou algo assim.
   -Diz-o a srio? Uma universidade sempre necessita subvenes.
   Jackson tirou seu talo de cheques do bolso e escreveu uma quantidade,
   -Tome, para sua cadeira.
   Joanna Armbruster abriu os olhos como pratos.
   -No ser uma brincadeira, no?
   -Isso no  nada comparado com o que voc tem feito por mim. No sabe como o agradeo.
   Quando saiu do despacho, Olivia o estava esperando no corredor.
   -Ficaste-te -murmurou Jackson, com o corao loja de comestveis de alegria.
   -Qual  o veredicto?
   Ele tomou em seus braos.
   -No sou um ignorante. Solo necessitava um pouquinho de cor em minha vida. Lhe pode acreditar isso?  um milagre -exclamou, dando voltas pelo corredor-. Solo 
tenho que pr uns papis de cores e as letras deixam de danar. Olivia, posso ler. vamos a casa. Isto ter que celebr-lo!
   
   Captulo Onze
   
   Olivia j estava vestida quando ouviu passos na escada. Haviam tornado da universidade uma hora antes e Jackson lhe disse que ficasse seus melhores ornamentos 
porque se foram de festa. Nunca o tinha visto to feliz e isso a fazia feliz a ela.
   -Abre a porta, jovencita! Venho carregado at os batentes!
   Jackson ia carregado de rosas vermelhas, brancas, amarelas, orqudeas e lils.
   -Por Deus bendito! compraste toda a floricultura?
   -Quase tudo. Tinha comprado as rosas quando recordei que voc gostava das orqudeas e as lils.
   -So preciosas.
   -teria te trazido mais, mas no podia com elas -sorriu ele-. Saca uns floreiros, carinho, estou-me cravando um espinho no dedo.
   Olivia entrou na cozinha, perguntando-se de onde demnios ia tirar tantos floreiros. Colocou as rosas em uma vasilha de cermica, as orqudeas em outra e as lils 
em uma jarra de cristal verde que tinha comprado no mercadinho.
   Quando terminou de arrumar os Ramos, Jackson seguia sorrindo.
   -So preciosas e cheiram de maravilha. Obrigado.
   Ele a abraou ento.
   -Sei que sou um exagerado, mas te devo muito mais que umas quantas flores. Tem idia de quo importante  isto para mim? No poderia te pagar embora te comprasse 
todas as flores do Texas -disse, tirando uma cajita do bolso-. Isto tambm  para ti.
   -Jackson...
   -No me diga que no. Este  um dia especial. No sabe o que significa para mim ser capaz de ler. Por favor, cu. Aceita-o, de acordo?
   Sua expresso era to tenra que Olivia foi incapaz de negar-se.
   -De acordo -sorriu, abrindo a caixa. Dentro havia uns pendentes de diamantes-. Mas Jackson... no posso aceitar isto. Devem te haver flanco uma fortuna.
   -O que vai, paguei-os com o carto de crdito.
   -No, srio. No posso aceit-los.
   -Muito tarde. J h dito que sim. Venha, ponha os quero ver como ficam. E logo vamos jantar ao melhor restaurante de Austin.
   Olivia no discutiu. Aquele era um dia muito especial para o Jackson e no queria danific-lo. De modo que ficou os pendentes diante do espelho, sorrindo.
   -Preciosa, absolutamente preciosa -riu ele, tirando outra cajita dourada do bolso-. Toma, isto tambm  para ti.
   -No.
   -Mas carinho...
   -Tenho dito que no. Os pendentes j so muito.
   Jackson tomou pela cintura.
   -No sente um pouquinho de curiosidade?
   -No penso aceitar mais presentes.
   -E se te digo que  uma pluma?
   -No te acreditaria. Venha, vamos jantar. Estou morta de fome.
   -Vale, vale. Onde est seu casaco?
   
   Jackson tirou as transparncias de cores e as ps sobre o menu.
   -Olhe, posso l-lo tudo. Quer um guisado de lagarto?
   Olivia enrugou o nariz.
   -No.
   -Aqui tudo est muito bom, srio. Fazem-no de uma forma incrvel e nem sequer sabe o que est comendo. Que tal veado ao conhaque?
   -Quer que coma ao Bambi?
   -Ah, perdo. Que tal o pato?
   -por que no pede voc? E diga-lhe ao ouvido ao garom para que no me inteire do que estou comendo.
   Jackson sorriu... mas fez o que lhe tinha pedido. Depois, tomou sua taa de champanha para brindar.
   -Pela mulher mais incrvel que conheci nunca e pelo futuro.
   -Pelos novos horizontes -brindou Olivia. Ele ficou olhando-a durante comprido momento-. por que me olha assim?
   -Estava pensando em quo inteligente . E em como te quero.
   Ela apartou o olhar. Aquilo no devia passar. No queria declaraes de amor.
   -Carinho, por que pe essa cara?
   -Que cara?
   -Como se estivesse a ponto de sair correndo. Solo digo o que sinto.
   Olivia comeou a lhe dar voltas a sua taa.
   -Quando pensa ir ao oculista? Jackson deixou escapar um suspiro.
   -Amanh. Estou desejando conseguir esses culos.
   Ela se alegrou de que no voltasse a falar de amor. Nem sequer na cama.
   Fizeram o amor com lentido, desfrutando de um do outro. Depois, apoiou a cabea sobre seu peito e ficou dormida.
   
   -Carinho... -sussurrou Jackson-. So as oito. Tenho que ir.
   Olivia abriu os olhos, meio dormida e lhe disse adeus com a mo.
   Uma hora depois o alarme do despertador comeou a soar, mas lhe deu um tapa. E quando voltou a apoiar a cabea no travesseiro, sentiu que havia algo duro debaixo.
   A cajita dourada.
   Apartando o cabelo de sua cara, Olivia piscou.
   atrevia-se a abri-la?
   No. Absolutamente no.
   Deixou a cajita sobre a mesinha e foi ao banho para lav-los dentes.
   Mas sentia tanta curiosidade...
   Mesmo assim, tomou banho e foi acender a cafeteira. Mas no podia deixar de pensar na maldita caixa...
   -Por Deus bendito!
   Por fim, sem poder evit-lo, abriu-a. Era um bracelete de diamantes com uma monedita de ouro em que havia algo gravura: Quero-te.
   Ento, sem poder evit-lo, ficou a chorar.
   No podia enganar-se mais. Ela tambm o amava.
   
   Olivia estava a ponto de ir-se  universidade quando soou o telefone.
   -Carinho, me alegro de te pilhar em casa -ouviu a voz do Jackson ao outro lado do fio-. Vou ao aeroporto. Tenho uma entrevista na clnica Irlen de Houston e no 
volto at na sexta-feira.
   -Em Houston?
   -Pelo visto, so especialistas em meu problema.
   -Ah, claro.
   -Voltarei para casa com meus culos.
   -Me alegro. Mas j sabe que o da enxaqueca oftlmica solo  parte do problema.
   -Sei, sei. Joanna Armbruster me contou isso tudo. Alm disso, deu-me um livro que penso ler no avio.
   -Que bem -sorriu Olivia.
   -Oua, importaria-te me fazer um par de favores?
   -No, me diga.
   -Importa-te dar um passeio com Relmpago? A senhora Lpez lhe dar de comer, mas quero que faa exerccio.
   - obvio. irei jogar umas carreiras com ele.
   -Outra coisa, por favor chama o Irish e lhe diga que suas habitaes esto confirmadas no Driskill para o fim de semana e que tenho hora para jogar golfe com 
o Kyle e Matt na sbado. 
   -Muito bem.
   -Devo ir, carinho. Quero-te. 
   Jackson pendurou sem que Olivia pudesse replicar. Quase tinha esquecido o do fim de semana. Era a recepo para o Presidente em casa do governador. Mas no tinha 
nada que ficar... Possivelmente Irish lhe daria alguma idia.
   -Eu tenho um monto de vestidos, alguns ainda com a etiqueta posta. E no me posso pr isso porque no me cabem. Assim que te levarei dois ou trs. -Obrigado.
   -Estou desejando verte.
   -Eu tambm. Podemos comer juntas na sbado, enquanto os meninos jogam golfe.
   - obvio. E na sexta-feira de noite.
   -Se Jackson chegar a tempo de Houston.
   -O que faz em Houston? -perguntou Irish.
   -Pois... j sabe, negcios -respondeu Olivia.
   -Ah, claro. Que tal vo as coisas entre vs?
   -No sei o que te dizer.
   -diga-me isso tudo -riu seu amiga.
   -Estamos... saindo ou algo assim. Passamo-lo bem juntos, mas nada mais. Segue tendo nuseas pelas manhs? -perguntou Olivia, tentando trocar de conversao.
   -No, agora estou muito melhor.
   -Bom, Irish, tenho que ir a classe. Vemo-nos na sextas-feiras.
   
   Os dias passavam lentamente sem a presena do Jackson. Embora estava ocupada, Olivia se dava conta de quo importante era em sua vida.
   na quarta-feira estava jogando com Relmpago no jardim e o pobre cachorrinho parecia to triste que decidiu ficar um momento vendo a televiso. No queria ficar 
dormida, mas assim foi. despertou s duas da madrugada, com Relmpago profundamente dormido em seu regao.
   perdeu-se a chamada do Jackson... Olivia marcou seu nmero de telefone para comprovar as mensagens.
   Tinha deixado quatro. O ltimo,  uma da manh.
   "Onde est, carinho? Tem-me preocupado. me chame quando chegar a casa".
   Devia cham-lo ou no?
   Devia cham-lo. Olivia marcou o nmero de seu hotel e Jackson respondeu imediatamente.
   -Sei que  muito tarde, mas me fiquei dormida em seu sof..
   -Tinha-me assustado.
   -No passa nada. Estou aqui, com Relmpago, vendo um filme.
   -Do John Wayne?
   -No, tolo. Uma comdia romntica. Mas me perdi o final.
   -Viveram felizes e comeram perdizes, seguro. No  assim como terminam todas?
   -Os filmes, sim -respondeu Olivia, com um n na garganta-. A vida real  diferente.
   -No tem por que s-lo se duas pessoas se querem. Eu quero que vivamos felizes para sempre, Olivia. Voc no?
   Ela se mordeu os lbios. Era isso o que queria? Tentava imaginar um futuro com o Jackson, mas era incapaz.
   -No quero te pressionar, carinho -disse ele ento-. Mas eu gostaria de saber o que sente por mim.
   -Eu gosto de muito, Jackson.
   -E?
   Olivia deixou escapar um suspiro.
   -Eu creio que deveria conhecer meu passado e possivelmente algum dia lhe conte isso, mas no agora. A verso curta  que estive casada com um maltratador e por 
isso sou muito cautelosa.
   -Eu me cortaria um brao antes de te fazer danifico, cu. Juro-lhe isso pelo mais sagrado. Quero-te muito.
   Ela sabia que era verdade. Mas no podia deixar de sentir certo pnico ante a idia de confiar nele por completo, de pr o corao em suas mos. Amava-o, mas 
no estava lista para diz-lo nem para comprometer-se. Ainda no.
   Possivelmente nunca o estaria.
   -Chegar na sexta-feira pela tarde?
   Ao outro lado do fio houve um suspiro.
   -Espero que sim. Tami se encarregar de contratar o catering para o jantar. Quer me fazer um favor, cu?
   -Sim, claro.
   - muito tarde e no quero que volte sozinha a casa. por que no dorme em minha cama?
   -Jackson, minha casa est ao outro lado da rua.
   -Por favor...
   -De acordo, ficarei.
   -Sonha comigo -sussurrou ele.
   
   Captulo Doze
   
   Enquanto se dirigiam  manso do governador na limusine, Olivia se sentia como a Cinzenta.
   No podia acreditar que a mesma turma que a noite anterior tinha jantado frango frito no jardim, em jeans e sapatilhas, converteu-se em um grupo de gente muito 
elegante disposta a comer caviar com o Presidente e sua esposa. Todos menos Eve, claro. A irm do Irish s comia verduras.
   O vestido de veludo de cor azul safira que Irish tinha levado para ela era perfeito. Com decote "palavra de honra" e comprido at o cho, era um exemplo de elegncia 
e bom corte. Seu amiga tinha insistido em lhe emprestar tambm um colar de diamantes e, pendentes que Jackson lhe tinha agradvel, parecia recm sada das pginas 
de uma revista.
   Mas no levava o bracelete. Era precioso, mas pensava devolver-lhe Simplesmente, no tinha tido oportunidade. Solo estiveram sozinhos quando ele foi procurar 
a ao apartamento... e outros estavam esperando na limusine.
   -Est divina -exclamou Jackson ao v-la-. Preciosa. Esse vestido parece feito para ti.  da mesma cor que seus olhos.
   Pass-la tarde no melhor salo de beleza de Austin tinha merecido a pena, certamente. Um coque fabuloso, a pele estirada como um beb, as unhas perfeitas... Inclusive 
ela estava assombrada.
   Jackson lhe deu um beijo no pescoo enquanto lhe punha um xale sobre os ombros.
   -Que tal se esquecermos a recepo e ficamos na cama? -disse-lhe ao ouvido.
   -No lhe crie isso nem voc. No estive toda a tarde me pondo divina para passar a noite s escuras.
   -Podemos deixar as luzes acesas. 
   -Disso nada -sorriu Olivia, tomando a bolsa-. vamos ver o Presidente. Por certo, que tal os culos?
   -Estupendas. Melhor que os plsticos de cores. Oua, no diga nada ao Matt Y... 
   -Claro que no, bobo.
   Naquele momento a limusine se detinha frente  manso do governador, com seu cuidadsimo jardim e suas colunas brancas. A casa estava maravilhosamente iluminada 
e rodeada por guardas de segurana.
   Certamente, Cherokee Pete estaria orgulhoso de seus netos: trs homens muito bonitos de smoking, jantando nada mais e nada menos que com o Presidente. E de suas 
noras. Irish estava preciosa com um vestido verde esmeralda que dissimulava um pouco seu embarao e Eve com um vestido de cor rosa.
   Jackson tomou o brao da Olivia, que se sentia como uma estrela de cinema com todas aquelas cmaras.
   dentro da casa, apresentaram-lhe ao Presidente e  primeira dama, mas no recordava o que lhes havia dito. Esperava que fosse algo sensato.
   Mitch lhe deu um abrao, que Jackson observou com cara de poucos amigos, e depois se sentaram para jantar. Ele parecia conhecer todo mundo. Era simptico com 
os homens e encantador com as mulheres. Um sedutor, certamente.
   E os culos lhe davam um ar muito distinto. Embora Matt e Kyle lhe tinham tirado o sarro.
   Felizmente, ningum perguntou qual era seu problema na vista. Jackson queria que fosse um segredo e ela pensava mant-lo.
   depois da festa, Irish os convenceu para tomar a ltima taa no hotel. A Olivia adorou o Driskill, com sua entrada palaciana e o interior Vitoriano. No bar, sofs 
de veludo vermelho e uma chamin com grgulas. 
   -y, que horror -murmurou Eve. 
   -Voc no gosta? eu adoro -riu ela. 
   -Por certo, Kyle e eu vamos celebrar o dia de Ao de Obrigado em casa e espero que venha com o Jackson -disse-lhe ento Irish-. vai ser um jantar completamente 
familiar. O av Pete far seu famoso po de milho, minha irm bolo de cabaa e o peru... entre todos. vai ser o peru maior do Texas.
   -E meus pais levam o vinho -disse Matt.
   - que minha me j no cozinha. Desde que vivem no hotel... -sorriu Jackson.
   -No sabia que seus pais vivessem em um hotel -disse Olivia.
   -No Santo Antonio.  de meu av e eles vivem em uma sute de dois pisos. Viajam muito, alm disso. Onde esto agora, Matt?
   -Creio que a ltima postal chegou do Japo.
   -Espero que venha para o jantar, Olivia -insistiu Irish.
   -Suponho que irei. O que posso levar? 
   -Bolo de coco! -exclamou Jackson. 
   -Estupendo.  a que mais eu gosto -riu Kyle.
   -Voc gosta de todas -disse sua mulher.
   Olivia se perguntou se seria sensato passar o dia de Ao de Obrigado com a famlia do Jackson. Tinha a premonio de que, como mnimo, todos tentariam procurar 
uma data para as bodas.
   depois de tomar uma taa, voltaram para casa na limusine.
   - minha -disse ele-. Minha cama  maior, j sabe. E levo toda a noite desejando baixar a cremalheira desse vestido.
   Nada mais fechar a porta, Jackson comeou a despi-la. O vestido acabou no cho e foram beijando-se at o dormitrio, tropeando com os degraus.
   -Tolo...
   -Um novo conjunto de roupa interior, n? -murmurou ele.
   -Comprei-o esta manh. Voc gosta? -Eu gosto mais... tirar-lhe isso disse Jackson, atirando as braguitas sobre o abajur.
   Olivia, solo com as meias e o liguero, comeou a beij-lo no pescoo. Enquanto isso, ele no parava de mover-se. Os sapatos caram em alguma parte, a camisa terminou 
na mesinha e as calas sobre a poltrona.
   -Nunca tenho feito o amor com uma mulher que levasse sozinho um liguero. Mas eu gosto -murmurou, passando a lngua por um de seus mamilos.
   -A mim tambm.  muito sexy. Ele enterrou a cara entre suas pernas, acariciando-a com a lngua at que Olivia lhe rogou que a penetrasse. Ao princpio, Jackson 
se movia devagar, mas lhe pediu que fora mais rpido. O ritmo era selvagem, sensual... Quando o ltimo espasmo terminou, ele passou a mo pelo liguero.
   -Carinho, pode que ponha isto em um marco.
   
   no domingo pela manh estavam na cama tomando caf e lendo o peridico.
   -Sigo sem acreditar que me resulte to fcil.  assombroso -disse Jackson, contente-. vou contratar um tutor para que me ajude com o que no pude aprender no 
colgio, mas de todas formas... Estou lendo! Olhe, nossa foto est na pgina de sociedade.
   -Onde? -exclamou Olivia.
   -Aqui, olhe. De esquerda a direita, Kyle... bla, bla, bla e Jackson Crow, membro da Comisso de Governo e Olivia Moore, professora da Universidade do Texas.
   -No me posso acreditar isso! Quero uma cpia desta foto. Ou melhor, comprarei todos os peridicos do quiosque -riu ela, encantada.
   -No faz falta. Os pedirei ao editor.  meu amigo -sorriu Jackson-.  incrvel, com estes culos posso ler seu nome. E  to bonito.
   A Olivia lhe encolheu o corao. Cada dia era mais bonito estar com o Jackson.
   
   Olivia estava revisando exames com a televiso acesa quando as palavras "Presidente" e "Austin" pronunciadas pelo locutor chamaram sua ateno.
   Passaram ento umas imagens da recepo e ali apareceu Jackson... e ela tambm.
   Ento sentiu pnico. E se Thomas via essas imagens? Se era assim, saberia onde localiz-la... Olivia ficou a mo no peito, tentando controlar os batimentos do 
corao de seu corao.
   A foto do peridico no lhe tinha preocupado muito porque era um jornal do Texas, mas a televiso chegava a todas partes... Ento se deu conta de que era um canal 
local e respirou, aliviada. Era muito difcil que Thomas Fairchild, de Califrnia, tivesse acesso a um canal do Texas.
   "Te acalme", disse-se a si mesmo. "Ele no vai encontrar te". Certamente, teria decidido deixar de procur-la depois de tanto tempo...
   Ou isso esperava.
   Mas por muito que se dissesse, uma dvida ficou plantada em seu crebro, uma preocupao que no podia tirar-se de cima.
   Aquela noite dormiu mau e despertou ao amanhecer, nervosa.
   Quando soou o telefone, ficou a mo no corao.
   Era Irish.
   -Viu a CNN?
   -No. por que?
   -Porque samos na recepo lhe dando a mo ao Presidente -respondeu seu amiga, sem saber a ameaa que isso representava para ela-. A que  genial?
   -No, Irish. No  genial.
   Ao outro lado do fio houve um silncio. 
   -Thomas.
   -Thomas.
   -OH no. Que horror. Mas no se preocupe. Embora o tenha visto, pode que no te tenha reconhecido. Solo foram uns segundos e no deram seu nome. Alm disso, trocaste-te 
o sobrenome e seu telefone no est na guia, assim no pode te encontrar.
   -Isso  o que me digo mesma -suspirou Olivia.
   -O contaste ao Jackson? 
   -No.
   -Cuntaselo, cu. Ele pode te proteger.
   -Pensarei-me isso.
   -Falaremos quando estiver em Dallas. A que hora lhes espero?
   -Chegaremos ao hotel na quarta-feira de noite.
   -por que no ficam em casa? Temos muito stio.
   Olivia sorriu ao recordar a reao do Jack-so quando ela mesma o sugeriu: "Disso nada. Ali haver tanta gente que estaremos como piolhos em costura. Prefiro 
ficar no hotel, assim estaremos sozinhos".
   - melhor ir ao hotel, Irish.
   -Bom, como quer. No hotel estaro sozinhos.
   -Essas foram exatamente as palavras do Jackson.
   
   Estava esgotada quando voltou para casa na tera-feira pela tarde. Aparentemente, todo mundo a tinha visto em televiso e os nervos e a angstia a estavam matando.
   O som do telefone a fez dar um coice.
   -me diga? -respondeu, nervosa. Ningum respondeu-. Me diga?
   Olivia pendurou o auricular e se levou a mo  boca.
   Thomas.
   O telefone voltou a soar ento, mas decidiu deixar que saltasse a secretria eletrnica.
   -Ol, carinho, sou eu -era a voz do Jackson-. Hoje chegarei tarde Y...
   -Jackson!
   -Ol, pensei que no estava em casa.
   -chamaste antes?
   -No. Ficam um par de horas no escritrio e no queria que me esperasse para jantar. Importa-te dar um passeio com Relmpago?
   -No, claro. Sinto que tenha que trabalhar at muito tarde.
   -Queremos terminar um monto de coisas antes do dia de Ao de Obrigado, assim andamos como loucos. Logo te chamo, cu.
   Pendurou antes de que Olivia pudesse dizer nada mais... embora no lhe teria crdulo seus medos. Thomas era seu inimigo particular. Seu adversrio, seu pesadelo.
   Se ele no a tinha visto em televiso, estava segura de que algum conhecido o teria feito e pretender que estava a salvo era uma fantasia. No o havia dito Thomas 
a ltima vez? No lhe havia dito que alguma vez poderia escapar dele? No a tinha aoitado por todo o pas?
   Olivia saiu correndo de seu apartamento, entrou na casa do Jackson, fechou com chave e ps o alarme.
   Mas no podia afastar as lembranas, no podia fugir de seus medos. No podia esquecer aquela noite.
   Thomas a tinha pego em outras ocasies, uma vez inclusive teve que ingressar no hospital e mentiu aos mdicos sobre a causa dos golpes porque ele estava a seu 
lado, atuando como o perfeito marido. Mas ele tinha ameaado matando-a se contava a verdade. Alm disso, quem teria acreditado que Thomas Fairchild maltratava a 
sua esposa? Era um juiz muito respeitado em Califrnia, amigo do governador, amigo de seu pai.
   Ao princpio estavam apaixonados... ou isso tinha acreditado ela, mas seu matrimnio foi deteriorando-se e Thomas se voltou violento.
   Olivia tentou deix-lo muitas vezes, mas ele sempre a encontrava. Uma vez foi a casa de seu pai e o canalha o chamou para lhe dizer onde estava.
   Thomas sempre parecia contrito depois de seus ataques e a alagava de presentes e promessas, mas voltava para as andadas assim que algo o tirava de gonzo.
   Estava aterrorizada. E com razo. No tinha acesso a suas contas correntes, solo um carto de crdito que ele poderia cancelar quando quisesse. Nem sequer as 
jias eram realmente delas porque estavam guardadas em uma caixa forte, das que Thomas as tirava quando queria ficar as Inclusive as que tinha herdado de sua me. 
E quando lhe disse que queria trabalhar, negou-se em redondo.
   Farta, uma noite reuniu coragem para lhe dizer que queria o divrcio. Ele se voltou louco. Golpeou-a, atirou-a ao cho, disse-lhe obscenidades...
   "No me deixar nunca, Olivia.  meu e s minha", gritava-lhe. "Antes lhe Mato".
   Quando tomou uma barra de ferro da chamin, ela saiu correndo da casa e conseguiu esconder-se no jardim dos vizinhos.
   Esperou ali durante horas, contendo os soluos, sangrando, aterrorizada, at que o viu sair no Mercedes. Ento entrou rapidamente na casa, tomou o pouco dinheiro 
que tinha economizado e subiu a seu carro.
   No se deteve at que tinha sado de Califrnia.
   Olivia sentiu um calafrio. Thomas a encontraria. Estava segura.
   E o instinto lhe dizia que sasse fugindo dali.
   
   Captulo Treze
   
   Olivia no se relaxou at que estiveram na auto-estrada. Inclusive ento, no deixava de olhar para trs para ver se os seguia algum carro.
   -Carinho, o que te passa? Leva um par de dias dando coices cada vez que ouve um rudo.
   -Nada. Solo estou um pouco nervosa pela reunio familiar.
   Jackson apertou sua mo.
   -No tem que preocupar-se. Cai-lhes muito bem. Minha me incluso te trouxe um presente do Japo.
   -Jackson, seus pais no pensaro que...
   -O que?
   -No pensaro que estamos prometidos?
   Ele ficou calado um momento.
   -No falamos que isso.
   Olivia se relaxou um pouco. Durante uns dias queria esquecer-se de tudo e desfrutar. Era impossvel que Thomas a buscasse em Dallas. Alm disso, estaria rodeada 
de gente muito poderosa. Embora a encontrasse, no se atreveria a lhe fazer danifico.
   No, Thomas esperaria at encontr-la sozinha.
   
   A incrvel atividade que tinha lugar na cozinha para preparar o almoo de Ao de Obrigado fez que Olivia esquecesse seus medos.
   Os pais do Jackson, Anna e Sam, haviam trazido quimonos para todo mundo, includa ela. Para os homens, com drages bordados, para as mulheres com flores.
   Gostava de muito os pais do Jackson que, apesar de ter casados quarenta anos, seguiam muito apaixonados. Eram um casal muito atrativo. Os dois altos, com o cabelo 
e os olhos escuros. Anna se parecia muito a sua irm, Sarah Rutledge, a me do Kyle. Ambas tinham os mas do rosto altos e a pele bronzeada, por sua herana a ndia.
   Kyle era loiro de olhos azuis como seu pai, o doutor Rutledge.
   Os pais do Irish e Eve, Beverly e Ao, os dois altos e loiros como suas filhas, eram to encantados como os Crow. adoravam Texas e Ao, sobre tudo, presumia de 
suas recm adquiridas habilidades como pescador.
   Todos se sentaram ao redor de uma mesa largusima no salo que presidia Pete,  obvio. Ele foi o encarregado de trinchar... os trs perus.
   Como Irish lhe tinha dado o dia livre ao servio, tiveram que ir acontecendo-os pratos uns aos outros, mortos de risada.
   -Me esqueceu o molho de arndanos -disse a anfitri-. Est na geladeira.
   -Vou por ela, no te mova -ofereceu-se Kyle.
   Quando todos os pratos estavam servidos at acima houve uma gargalhada geral.
   -Possivelmente seria melhor servir-se em bandejas -brincou Jackson.
   -Pois eu penso repetir -disse Matt.
   -Guarda stio para a sobremesa -advertiu-lhe Eve-. Joguei-lhe o olho a esse bolo de coco que trouxe Olivia e te vais morrer.
   A comida transcorreu entre risadas e agradvel conversao. Quando Olivia olhou a mesa... com todo o cl reunido exceto a irm do Jackson e o irmo do Kyle, pensou 
que era a gente mais agradvel que tinha conhecido nunca. Apesar de sua riqueza, comportavam-se como uma famlia normal e a faziam sentir bem-vinda.
   Comida-las familiares tinham sido uma tortura para o Jason e ela. comia-se em silncio... quando no tinham que suportar uma bronca de seu pai. E quando Jason 
partiu de casa, Olivia se converteu no nico objetivo de seus vitrilicos comentrios. Seu pai no a tinha pego tantas vezes como pegava ao Jason porque Olivia tentava 
passar desapercebida. Mas Thomas...
   No, disse-se a si mesmo. Aquele dia no pensaria no Thomas. Ento se precaveu de que havia treze pessoas na mesa. M sorte se a gente era supersticioso.
   Olivia sentiu um calafrio.
   -O que acontece, cu? -perguntou-lhe Jackson.
   -Nada -respondeu ela, com uma risinho nervosa-. Acabo de me dar conta de que somos treze.
   -No. Somos quatorze -sorriu Irish, tocando o ventre.
   -Sabe se for menino ou menina? -perguntou-lhe sua me.
   -Pensvamos esperar at a sobremesa para diz-lo, mas...
   -vamos ter um menino -anunciou Kyle.
   Cherokee Pete se levantou com a taa na mo.
   -Quero brindar por meu novo bisneto e por nossa boa amiga, a preciosa Olivia.
   A ela lhe fez um n na garganta. Era maravilhoso sentir-se parte de uma famlia.
   Entre todos limparam a mesa e colocaram os pratos na lava-loua mas,  obvio, os homens escaparam assim que comeou o jogo de futebol.
   -Porcos machistas -gritou-lhes Eve.
   -So impossveis. Quando h futebol, no se pode contar com eles para nada -disse a me do Jackson.
   -Certamente. No foram ao estdio esta tarde porque ameacei ao Kyle de morte -assentiu Irish.
   Olivia sorriu. Em realidade, Jackson se passava os domingos pela tarde lendo com o Tami, no vendo o futebol. Era um homem completamente dedicado a seu trabalho 
e o admirava por isso.
   
   O fim de semana em Dallas foi como um sopro. Olivia o tinha passado de maravilha. Depois do dia de Ao de Obrigado, foram ver a granja que Matt e Eve estavam 
construindo.
   Passaram tempo com a famlia e conseguiram acontecer algum momento ss tambm. na sbado de noite foram ao teatro, jantaram no hotel e fizeram o amor.
   no domingo pela manh voltaram para casa.
   Os medos que tinham ficado suspensos durante o fim de semana despertaram de novo. quanto mais se aproximavam de Austin, mais angustiada se sentia.
   Quando Jackson subiu a mala a seu apartamento, Olivia tinha um n no estmago.
   -O que te passa, carinho?
   -Nada, estou cansada. Mas o passei muito bem, de verdade.
   -Minha famlia est louca por ti. E eu tambm.
   Olivia tivesse querido lhe pedir que ficasse com ela, mas sabia que tinha trabalho.
   -Descansa um pouco. Chamarei-te mais tarde.
   Quando partiu, Olivia se apressou a comprovar as mensagens da secretria eletrnica. Havia uma chamada da Tessa lhe pedindo que fora a v-la assim que voltasse 
de Dallas para lhe contar que tal o fim de semana... e tinham pendurado sem dizer nada quatro vezes.
   Quatro vezes.
   Certamente se teriam equivocado de nmero, tentava dizer-se a si mesmo. Certamente.
   Mas Thomas era juiz, amigo de muitos chefes de polcia... e poderia conseguir seu nmero de telefone com uma s chamada.
   Fechou a porta com chave e foi pr a cafeteira. Mas nada parecia capaz de esquent-la por dentro.
   Ento soou o telefone.
   Olivia duvidou um momento, mas por fim respondeu.
   -me diga? -disse, com voz tremente. Ao outro lado do fio, silncio-. Quem , maldita seja! 
   -Ah, ento foi voc.
   O corao da Olivia se deteve uma dcima de segundo.
   Thomas.
   Seu pior pesadelo se fazia realidade. 
   -O que quer? -espetou-lhe, tentando conservar a calma.
   -Quero o que sempre quis. A ti. Comigo, em casa, onde deve estar.
   -Eu no sou tua, Thomas. Estamos divorciados.
   - minha, Olivia.  minha! Sempre ser minha. Vou te buscar.
   Tremendo de medo, correu para a janela da cozinha para ver se Thomas estava na rua.
   -No penso ir a nenhum stio contigo. me deixe em paz!
   -Vi-te em televiso com esse bastardo. Mas ele no pode te ter porque  minha. Sei onde vive, querida. Vir comigo ou te matarei.
   Olivia pendurou o telefone e se apoiou no suporte, tremendo. No podia ser... no podia ser...
   Tinha que fazer a mala e sair correndo antes de que chegasse... Ento viu a casa do Jackson. Se o chamava, chegaria correndo em um instante. Thomas no era competidor 
para um homem como ele.
   Ou sim?
   Poderia ter uma pistola e no duvidaria em us-la. Era um homem muito ciumento e mataria ao Jackson se a visse com ela. Estava completamente segura.
   De repente, uma estranha calma a invadiu. No, no chamaria o Jackson, nem sairia correndo. Tinha deixado de correr.
   Um carro muito luxuoso se deteve ento frente  casa e Thomas Fairchild saiu dele.
   Olivia chamou  polcia.
   -Meu ex-marido me ameaou que morte e acaba de chegar a minha casa. Venham agora mesmo, por favor!
   Depois, deu seu nome e sua direo.
   -Enviamos um carro agora mesmo. No pendure o telefone e no abra a porta.
   -Estou-o ouvindo subir os degraus. Por Deus, est aqui mesmo!
   -O carro chegar em um minuto, senhora. No pendure.
   Thomas bateu na porta.
   -Olivia! Olivia, abre agora mesmo! Se no vir comigo, matarei-te!
   -No abra a porta -advertiu-lhe de novo o policial.
   -Juro que te matarei, Olivia!
   A porta rangeu quando Thomas se lanou sobre ela.
   -Est tentando atirar a porta abaixo... A polcia est a ponto de chegar, Thomas! Vete daqui!
   -Abre agora mesmo!
   A fora de seu dio era brutal, mas Olivia no se moveu. No o tinha denunciado antes  polcia por medo, mas isso foi em outro tempo. Se conseguia entrar, lutaria 
por sua vida com todas suas foras.
   Ento a porta cedeu e Olivia tomou um pesado candelabro de bronze.
   -atirou a porta abaixo! -gritou, sem soltar o telefone.
   Thomas colocou a mo pelo oco para tirar a cadeia e ela o golpeou com todas suas foras.
   Nesse momento ouviu uma sereia. Dois. Eram dois carros de polcia.
   -Matarei-te, zorra!
   -Polcia, detenha-se! Levante as mos por cima da cabea!
   Olivia ouviu passos e empurres pela escada.
   -J esto aqui -disse-lhe  polcia que estava ao outro lado do telefone.
   -No se mova da. Espere at que algum oficial de polcia se identifique.
   -Senhora, sou o sargento Rodrguez. J pode abrir. Pusemo-lhe as algemas e meu companheiro o leva a carro.
   Tremendo, Olivia abriu a porta.
   -Obrigado. tentou me matar... Apresentarei cargos, denunciarei-o por intento de assassinato... Tenho uma testemunha, o policial que est ao telefone.
   -Tranqila, senhora. vamos levar o a delegacia de polcia. No se preocupe, j no pode lhe fazer danifico.
   Ela se deixou cair no sof, exausta.
   -Olivia, Olivia! -escutou ento a voz do Jackson-. Carinho, o que passou?
   -Era meu ex-marido. Viu-me na televiso e vinho a me buscar. Que medo passei. ia matar me...
   Ele a estreitou entre seus braos.
   -Esse canalha... Matarei-o se voltar a aproximar-se de ti. Voc  minha e no deixarei que ningum te toque!
   Olivia tentou apartar-se.
   -No diga isso jamais. Eu no sou tua, no sou de ningum. me solte!
   -Cu, te acalme.
   -No quero me acalmar! Vete daqui, Jackson!
   -No penso ir enquanto esteja to nervosa. Deixa que te cuide...
   -Estou perfeitamente! No necessito que ningum cuide de mim, muito obrigado. Vete agora mesmo!
   Estava lhe fazendo danifico com suas palavras, mas lhe dava igual. Aquele era um momento terrvel para ela.
   Os vizinhos tinham sado  rua e estavam observando o espetculo, mas tampouco lhe importou.
   Olivia fechou a porta como pde e se deixou cair sobre a cama, chorando, amaldioando aos homens que lhe tinham feito tanto dano.
   Quando por fim pde deixar de chorar, ficou olhando ao teto. Possivelmente tinha reagido de forma exagerada com o Jackson, mas suas palavras tinham despertado 
o medo de novo. "Dela".
   No pertencia a ningum mais que a si mesmo. E jamais permitiria a nenhum homem pensar que era seu dono.
   Felizmente, tinha visto esse lado seu to possessivo antes de... antes de que a relao fora mais sria.
   Seu primeiro impulso foi fazer a mala, mas decidiu no faz-lo. Estava farta de escapar.
   Aquela vez ficaria. Gostava de seu trabalho, gostava de Austin e no pensava deixar que um homem arruinasse sua vida.
   depois de lav-la cara Olivia chamou a Tessa, mas estava a secretria eletrnica. Ento chamou a Joanna.
   Dormiria em sua casa durante uns dias at que arrumassem a porta e at que pudesse estar segura de que Thomas no ia aparecer por ali.
   Mas no partiria de Austin.
   
   Captulo Quatorze
   
   Jackson no queria deixar a Olivia naquele estado, mas estava to furiosa, to histrica... e com razo. Tentou ficar em contato com a Tessa, mas os Jurney no 
estavam em casa.
   No queria chamar o Irish porque estava grvida e lhe daria um desgosto, de modo que chamou a sua me, a mulher mais sbia que conhecia.
   Lhe aconselhou que fizesse todo o possvel para que seu ex-marido no pudesse voltar a atac-la e, sobre tudo, que lhe desse um pouco de tempo.
   -lhe faa saber que te importa, mas no a presses.
   -De acordo.
   -A seu pai e ns gostamos de muito Olivia. Em nossa opinio tiveste muita sorte.
   -Sim, mame -sorriu ele-. J sabe que eu sempre tenho sorte.
   -Tenho a impresso de que isto vai por bom caminho -riu sua me.
   depois de pendurar, Jackson chamou  pessoa que mais podia ajud-lo: Mitch Harris.
   -Como governador, no posso fazer nada pessoalmente, mas o chefe de polcia me deve um par de favores. Deixa que chame o George e me inteire de como vai o assunto. 
Agora te chamo.
   Durante uma hora Jackson passeou pela casa esperando a chamada do Mitch e quando soou o telefone, desprendeu-o imediatamente. Mas no era Mitch, a no ser Tessa.
   -Olivia me deixou uma mensagem me contando que est em casa de uma amiga. O que passou?
   Jackson lhe contou tudo o que sabia. E lhe perguntou o que devia fazer ele.
   Tessa lhe aconselhou quo mesmo sua me: esperar.
   -chamei ao governador para lhe pedir que me d uma mo, mas no o diga. E acabo de chamar um carpinteiro para que arrume a porta.
   -te esquea da porta. Ed se encarregar disso.
   Meia hora mais tarde, chamou Mitch.
   -Voc sabia que Thomas Fairchild  um juiz de Califrnia?
   -Um juiz? Nem idia.
   -Olivia chamou para me pedir ajuda faz quinze minutos.
   -Espero que no lhe haja dito que eu tambm te chamei.
   -Sinto muito, mas sim. No sabia que era um segredo.
   Jackson afogou uma maldio.
   -Bom, o que sabe?
   -Pelo visto, Fairchild estava a ponto de sair da delegacia de polcia quando George interveio. Olivia pode conseguir uma ordem de afastamento, mas s vezes no 
servem de nada. Me ocorreu uma idia melhor.
   -Qual?
   -Harlon Swain e eu vamos visitar o Fairchild na delegacia de polcia.
   Harlon Swain era um juiz muito respeitado no Texas que tinha amigos em todas partes, sobre tudo em Washington, perto do Presidente.
   -A ver se podem lhe colocar medo a esse canalha.
   -Harlon acredita que sim. Pelo visto, para ele ser juiz  muito importante. E as aparncias tambm, segundo Olivia. Podemos acompanh-lo ao aeroporto sem apresentar 
cargos ou mand-lo ao crcere, que ele escolha. Mas se o deixamos partir, tem que jurar que nunca voltar a pr os ps no Texas.
   -De todas formas, isso  algo que deve dizer Olivia.
   -Sim,  obvio. Por certo, o que passou entre vs, amigo? Quando lhe falei de ti ficou fria como o gelo. Est zangada contigo?
   -No tente nada, Mitch. Segue sendo... minha noiva -respondeu Jackson. Tinha estado a ponto de dizer "minha". Mas teria que apagar aquela palavra de seu vocabulrio-. 
Me chame quando falar com o Fairchild. E no diga a Olivia que falamos. No pode suportar que ningum se meta em seus assuntos.
   Durante os seguintes dias, Jackson tentou ser paciente. Por isso Mitch lhe contou, Harlon Swain se havia posto srio e Fairchild tomou o primeiro avio para Califrnia. 
O canalha no quis desperdiar a oportunidade de manter seu trabalho e seu bom nome... Mas Olivia tinha decidido apresentar cargos de todas formas. E segundo Swain, 
aquela vez teria que passar algum tempo  sombra.
   Ela estava de volta em seu apartamento. A porta estava arrumada e Jackson a viu entrar e sair, mas no respondia ao telefone nem respondia a suas mensagens.
   Enviava-lhe flores cada dia... inclusive lhe enviou comida a domiclio cada noite com uma nota, lhe perguntando se queria compartilh-la com algum.
   Mas nada. Nenhuma resposta.
   Nem sequer uma nota de agradecimento.
   Pacincia, dizia-se a si mesmo.
   
   Olivia pde ignorar a comida a China, a lagosta, o filete de linguado em molho de champanha, os tacos mexicanos... mas quando abriu a ltima caixa quase ficou 
a chorar. Dentro havia perritos quentes com mostarda e seis latas de cerveja. A nota dizia: me chame, carinho. Morro de fome.
   Tinha tentado esquecer-se do Jackson, havia-se dito a si mesmo que no podia arriscar-se outra vez...
   O problema era que estava apaixonada pelo Jackson Crow, assim de singelo.
   Tinha sido muito dura com ele a noite do assalto, mas sua vida havia tornado a ser dela e podia pensar racionalmente. E se dava conta de que Jackson no era como 
Thomas absolutamente. Protetor, certamente. No tinha chamado ao Mitch para ajud-la? Mas no era dominante, no era possessivo.
   E o jogava tanto de menos...
   Olivia tomou o telefone e marcou um nmero que sabia de cor. Jackson respondeu imediatamente.
   -Quer dever comer perritos quentes? 
   -Agora mesmo vou para l. Nem sequer se despediu, simplesmente pendurou o telefone a toda pressa. Da janela da cozinha o viu sair correndo, ao tempo que ficava 
uma camisa. Ia descalo.
   Em cinco segundos estava chamando a sua porta. Quando Olivia abriu, estava gansamente apoiado na parede, com um sorriso nos lbios.
   -Entra -disse-lhe, contendo um sorriso-. Quer uma cerveja? 
   -Pois sim, obrigado. 
   -No tem frio nos ps? 
   Ele olhou para baixo, surpreso. 
   -Anda. E eu me fazendo o gracioso... 
   Olivia soltou uma gargalhada. 
   - um palhao, Jackson Crow.
   Incapaz de suport-lo um segundo mais, jogou os braos ao pescoo. Jackson no necessitou mais estmulo para beij-la nos lbios at que lhe dobraram os joelhos.
   -Carinho, quase me volto louco sem ti. Quero-te muitssimo.
   -Eu tambm te quero, Jackson. 
   -Diz-o de verdade?
   -Digo-o de verdade. Eu tambm te senti falta de.
   -Promete que te casasse comigo, Olivia.
   -No posso te prometer isso. No estou preparada para um compromisso to srio. Pode que nunca o esteja. H tantas coisas que no sabe de mim...
   O tomou sua mo para lev-la ao sof. 
   -Conta-me o Conta-me o tudo. E ela o fez. Contou-lhe como seu pai pegava a sua me, como seu irmo partiu de casa assim que pde, falou-lhe de seu noivo da universidade, 
das surras de seu marido. Contou-lhe toda sua histria.
   Jackson fechava os olhos quando no podia suportar algo, mas no dizia nada. Quando Olivia terminou seu relato, apertou-a contra seu corao.
   -Entende agora por que me do medo as relaes sentimentais? No  que no te queira, Jackson.  que sou muito receosa.
   -Esperarei.
   -Pode que nunca esteja preparada para me casar.
   -Quero-te com toda minha alma, Olivia. Esperarei. E enquanto isso, aceitarei o que queira me oferecer -sorriu ele-. contribuste com cor a minha vida, trocaste 
minha forma de ver as coisas. Mas a nica cor que merece a pena  a cor de seus olhos. Esperarei, carinho.
   
   Eplogo
   
   As estradas eram como um manto vermelho, os campos do Texas talheres de papoulas. de vez em quando, alguma margarida, alguma flor silvestre.
   Olivia e Jackson foram a casa do Irish para conhecer seu filho recm-nascido, Joshua.
   -Kyle parecia a ponto de deprimir-se -riu Jackson-. Mas Irish e o menino esto Estupendamente. Trs quilogramas novecentos. No est mau, n?
   Olivia estava desejando ver seu amiga. Estiveram juntas em Natal, mas ardia em desejos de conhecer menino.
   Naqueles meses tinha conhecido ao Jackson muito melhor. Era completamente diferente do Thomas e seu pai. Tinha carter, mas no era absolutamente violento. Era 
um homem muito generoso.
   Cada dia estava mais segura de poder comprometer-se com ele. Em lugar de lhe dar medo, a idia a enchia de felicidade. Adorava ao Jackson Crow... Olivia sorriu. 
E estava para comer-lhe 
   Todo o cl se reuniu em casa do Irish, inclusive a irm do Jackson, a congressista Ellen Crow Ou'Hara. Solo faltava Smith, o irmo do Kyle. Tampouco tinha aparecido 
por ali em Ao de Obrigado ou Natal.
   -No sei o que acontece com esse menino -suspirou Pete-. Jogo muito de menos.
   -Oxal estivesse para conhecer seu sobrinho -disse Irish, apartando a mantita para lhes mostrar a cara do Joshua-. A que  precioso?
   -Muito bonito. Posso...? -sorriu Olivia. Quando o teve em seus braos, sentiu uma onda de calor maternal-. Que maravilha -disse, olhando ao Jackson-. por que 
no temos um igual?
   Ele a olhou, surpreso.
   -Quando voc queira. Mas solo se te casar comigo.
   -De acordo.
   -Diz-o a srio, carinho?
   -Sim, meu amor.
   O grito do Jackson pde ouvir-se em todo Dallas. Inclusive em Austin.
   
   FIM
   
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